"Como ocorria em faladores Rosa Antuña assume um papel específico: além de dançar, canta e balbucia um idioma inventado - como um ser falador. A quem é dado um lugar diferenciado, à altura das ressonâncias e experimentações dos seus, digamos assim, canais de expressão.
Mais que bailarina, uma artista em plenitude" - Miguel Anunciação para o Hoje em Dia - Belo Horizonte

PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES E WORKSHOPS

2015
* Belo Horizonte:
- 22 de setembro - CRModa - A Mulher que Cuspiu a Maçã - 19:30h (Cena-Música)
- 20 de agosto - CC Vila Santa Rita - A Mulher que cuspiu a Maçã - 19:00h (Cena-Música)
- 18 de agosto - CCJardim Guanabara - A Mulher que cuspiu a Maçã - 19:00h (Cena Música)
- 17 de julho - CRModa - A Mulher que Cuspiu a Maçã - 21:00h (Cena Música)
- 7 a 10 de maio - CCBB - A Mulher que Cuspiu a Maçã - ESTREIA NACIONAL

* Brasília
- 22, 23 e 24 de abril - Teatro da Caixa - Trilogia do Feminino

2014
* Holstebro, Dinamarca:
- 12 e 17 de dezembro - A Mulher que Cuspiu a Maçã, direção Roberta Carreri - (Núcleo de Criação Rosa Antuña) - Ensaio Aberto - work in progress - Odin Teatret

domingo, 5 de julho de 2009

Sexo-Dança-Prazer-Palco-Êxtase

Casamento. Rotina. Cumplicidade. Amor. Amizade. Tesão? Paixão? Talvez as duas últimas palavras fiquem realmente mais para o final... mas mesmo assim vale à pena. Talvez nem todos os casamentos valham à pena... mas muitos valem sim.
E o que fazer quando a paixão passa... o que fazer naquelas fases mornas que todo relacionamento enfrenta... o que fazer para sair da rotina e apimentar um pouco a vida a dois? Sexo. Queremos fazer sexo. Que casal aguenta fazer sexo por quarenta, cinquenta anos, todos os dias??? Quando o sexo vira rotina, tanto faz fazer sexo ou escovar os dentes. Geralmente a segunda opção é até mais prazeirosa. Já quando o casal transa com menos frequência, a tendência é manter a qualidade, o prazer, a magia... no sexo tântrico os parceiros seguram o gozo, degustando cada momento, cada nuance... e finalmente, no dia do "espetáculo" vem o êxtase!
A rotina de muitos bailarinos, principalmente clássicos, é massacrante. Dói. Será que com o passar dos anos eles vão perdendo o tesão pela dança? Será que a dança começa como um amante sedutor e termina como um marido barrigudo, empunhando uma latinha de cerveja enquanto assiste o futebol ? Assim como muitas mulheres podem fingir lindamente um orgasmo, será que muitos bailarinos não estão fingindo também ao ir para o palco?
Em muitas companhias clássicas, bailarinos com trinta e quatro, trinta e cinco anos já pensam em se aposentar; já estão machucados, e muitos deles, decepcionados...
Até que ponto esse "over use" do bailarino compensa? O bailarino tem que dançar muito. O lugar dele é no palco. Reflito apenas sobre o abuso. Sobre ir além do que seria saudável e prazeiroso pra esse artista. Existem companhias que fazem longas temporadas de terça a domingo. A partir do momento que a arte vira um produto industrial, será que funciona? Funciona para o público, para a empresa... mas para cada artista, será que funciona? Tudo é uma questão de medida e equilíbrio. Dançar pouco é frustrante. Dançar em excesso, massacrante. É preciso dançar o suficiente para que continuemos excitados em cena. Para que gozemos nos espetáculos. Nossa rotina de trabalho também precisa de recursos para não nos aprisionar. Somos artistas. E trabalhamos com arte. Tudo isso é a medida do suor, do esforço, da rotina, do frescor, da disciplina, da surpresa, da emoção, da pausa, do silêncio, da catarse, do amor, do tesão, da paixão, do êxtase e do orgasmo.
E enquanto houver amor... dançarei com você.
E enquanto houver paixão... dançarei para você.
E neste casamento... que a dança seja o marido em quem confio e o amante a quem me entrego.

Rosa Antuña

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Miséria Humana

A miséria humana está muito mais próxima do que se imagina.
Não me refiro apenas ao óbvio. Pobreza, ignorância, violência, abuso... isso é fácil de perceber. E é graças a essa miséria explícita que nós nos omitimos. Escondemos de nós mesmos a verdade. Afinal, há tantas coisas tão mais graves, urgentes, emergenciais... Todos nós nos tornamos anjos ingênuos e horrorizados diante de pais que atiram seus filhos das janelas. Todos nós nos sentimos bons e dignos, diante de notícias de políticos que roubam milhões. Todos nós temos a verdade e a consciência, quando condenamos traficantes, bandidos... todos nós somos tão castos e puros diante de estupradores... Sorte nossa que esse mal tão grande e paupável existe. Ele é tão grande, que faz com que a nossa miséria e hipocrisia interna fique à sua sombra... em silêncio... e permitida. Sim. A inveja que sinto não é miséria. A cobiça que retenho não é miséria. A arrogância que sustento não é miséria. A covardia que alimento não é miséria. E assim caminha a nossa humanidade de quatro patas. É triste ver pessoas próximas fingindo, mentindo, impedindo... é triste ver as pessoas competindo, com medo umas das outras. É triste ver as pessoas se ferindo. Elas deveriam se ajudar e fortalecer mutuamente... deveriam dizer a verdade, ao menos a verdade. Por mais difícil que seja, a verdade é digna. A verdade respeita. A verdade ouve e vê. A verdade é. É triste ter que se distanciar por falta de escolha, por autopreservação. Estou cansada de sorrisos planejados. Estou cansada de ver a burrice invejosa que impede o crescimento e a prosperidade do todo. Estou triste e frustrada com a nossa raça. Tenho vergonha de nós. Tenho vergonha de mim.
Rosa Antuña