"Como ocorria em faladores Rosa Antuña assume um papel específico: além de dançar, canta e balbucia um idioma inventado - como um ser falador. A quem é dado um lugar diferenciado, à altura das ressonâncias e experimentações dos seus, digamos assim, canais de expressão.
Mais que bailarina, uma artista em plenitude" - Miguel Anunciação para o Hoje em Dia - Belo Horizonte

PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES E WORKSHOPS

2015
* Belo Horizonte:
- 22 de setembro - CRModa - A Mulher que Cuspiu a Maçã - 19:30h (Cena-Música)
- 20 de agosto - CC Vila Santa Rita - A Mulher que cuspiu a Maçã - 19:00h (Cena-Música)
- 18 de agosto - CCJardim Guanabara - A Mulher que cuspiu a Maçã - 19:00h (Cena Música)
- 17 de julho - CRModa - A Mulher que Cuspiu a Maçã - 21:00h (Cena Música)
- 7 a 10 de maio - CCBB - A Mulher que Cuspiu a Maçã - ESTREIA NACIONAL

* Brasília
- 22, 23 e 24 de abril - Teatro da Caixa - Trilogia do Feminino

2014
* Holstebro, Dinamarca:
- 12 e 17 de dezembro - A Mulher que Cuspiu a Maçã, direção Roberta Carreri - (Núcleo de Criação Rosa Antuña) - Ensaio Aberto - work in progress - Odin Teatret

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Pedidos para 2011

O momento da chegada do Ano Novo é realmente muito especial. Marca o final de um ciclo e o início de outro. A vida continua, mas temos a oportunidade de refletirmos sobre a maneira como agimos durante o ano que passou, sobre o aprendizado que tivemos, sobre coisas que devem ficar para traz e outras coisas novas que devemos começar. Fazemos novos planos, tomamos fôlego e mergulhamos no ano que se inicia. É um momento de agradecer todas a s nossas experiências e pessoas que tivemos a oprtunidade de conhecer e conviver. Tudo foi um aprendizado.

Os Anjos e seres de luz, no momento da passagem do ano, ficam com seus "bloquinhos de anotação" para escrever todos os nossos pedidos para o ano seguinte. E a Terra recebe grande intensidade de luz vinda de esferas superiores. Por isso é importante estarmos em harmonia nessa data. É importante que fiquemos bem, felizes, pensando positivo, para recebermos tantas bênçãos nesse momento tão especial.

Peço então pela dança no Brasil. Peço que haja dinheiro para a realização dos projetos! Peço que haja espaço para todos trabalharem. Peço que haja público. Peço que as pessoas paguem para ir ver dança. Peço que os teatros estejam lotados! Peço que os seres humanos queiram aprender a dançar! Peço que os salários dos bailarinos aumentem. Peço que os bailarinos, coreógrafos , professores de dança, sejam respeitados e valorizados pelo povo, pelo governo, pelas leis... Peço que os cachês dos festivais, dos eventos, dos teatros que nos convidam aumentem! E para que tudo isso aconteça, peço prosperidade para o Brasil, peço conscientização política, peço justiça, peço que a verdade se manifeste. Que estejam à frente do país aqueles que são honestos, sábios, justos e firmes. Que todo o povo brasileiro prospere, que tenha comida, trabalho, segurança, saúde, cultura, moradia, respeito, oportunidade... e voltando a falar dos bailarinos e criadores da dança, peço que sejam inspirados para que levem para o palco e para o público temas que sejam necessários, que ajudem as pessoas em seu despertar, que humanizem, ensinem, revelem... que a Alma dos artistas seja maior do que o ego, do que a vaidade, que a alma dos artistas possa iluminar nosso país para que juntos todos nós possamos evoluir em todos os níveis!

Luz Prata!

Feliz 2011.

Rosa Antuña

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

2011

Queridos amigos,

Escrevo para compartilhar com vocês algumas informações que aprendi onde estudo, sobre nossa passagem do ano.

Desde já é importante vibrarmos sempre na freqüência de luz violeta para transmutarmos nossos karmas e qualquer energia de baixa freqüência que estiver em nosso campo energético, mental, espiritual ou físico. Fazendo essa constante limpeza com a freqüência de luz violeta conseguimos nos manter em maior equilíbrio e condição de receber freqüências de luz mais elevadas que nos auxiliarão em nosso despertar e evolução espiritual e planetária. É importante lembrar que sempre que fizermos a canalização de luz violeta para nós mesmos, em seguida podemos enviá-la para outras pessoas que estiverem precisando e então enviamos para todo o planeta envolvendo-o na luz violeta. Isso é muito importante e devemos fazer essa canalização desde já e durante todo o ano de 2011.

2.011 é um ano que trará muito forte a presença da luz prata que começará já, dia 1° de janeiro. A outra data que também terá grande intensidade de luz prata é 11 de novembro de 2011. Após a visualização da luz violeta, canalizar a luz prata em você mesmo e então em pessoas que você lembrar e então em todo o planeta. Durante todo o ano isso deve ser feito.

Especificamente para o ano novo : luz violeta e luz prata. Quem puder usar cristais de quartzo vítreo e roupas claras, será muito bom para receber com mais abertura essa freqüência da luz que estará atuando através da abertura do Portal 1. Aproveitem este momento para fazerem todos os seus pedidos pessoais para 2011 e também lembrar de pedir pelo nosso planeta. Pedir ajuda, amor, paz, alegria, união... pedir o fim das guerras, pedir calma para as águas e para a terra...

Efeitos da luz prata : ela restaura o que foi transmutado pela luz violeta. Ela ativa nossos chakras e acelera nossa energia. Por isso é importante pensarmos positivo para acelerarmos o bem, o amor, a cura, a alegria.

Maria estará atuando muito durante este ano de 2011. É um ano para desenvolver o feminino. A força feminina.

Um beijo de luz a todos,

Rosinha.
28 / 12 / 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O que deu em mim pra ser artista?

Sou artista. E o que deu em mim para querer ser artista aqui no Brasil? Também não sei se em outros países seria tão diferente assim... mas que tipo de artista eu sou? Não. Não sou cantora nem de música sertaneja, nem de axé. Também não "toco" em raves. Não. Nunca fiz uma novela na Globo.Também não sou uma cantora pop famosa. Bem... está difícil, então! Ah! Sou bailarina. Do teatro Municipal do Rio? Não. De alguma cia estatal? Não. Ah. Do Corpo? Não. Débora Colker. Não. Ficou difícil mesmo! Será que existo?
Trabalho na Cia Mário Nascimento e paralelamente começo a desenvolver minha carreira como artista independente. Coitada. Será que agora irei pertencer àqueles artistas independentes que vivem com olheiras, um ar cançado e um quê de desilusão no fundo do olho? Se for depender das leis, burocracia e mercado, sim! E porque continuo fazendo isso? Boa pergunta! Não me avisaram que seria tão difícil... talvez alguém tenha tentado mas não acreditei... agora acredito. Agora entendo a disputa, as intrigas, conchavos, "puxa-saquismo"... é tudo difícil demais.
Engraçado... talvez o público não tenha idéia do que é colocar um espetáculo em pé com pouco dinheiro... e é o que a maioria dos artistas fazem! Estão todos lutando pra sobreviver! É uma guerra pra ver quem será convidado pra qual festival! Claro! É nos festivais que se tem público, cachê, estrutura... é uma guerra pra ver quem será aprovado em qual edital e quem tem contato com qual empresa! Entendo tudo... nosso doce capitalismo selvagem... os artistas não podem contar com as leis... elas matam a arte... Elas matam a criatividade... Elas sufocam o canal criativo...elas sugam a seiva dos artistas até a última gota... como ser artista, empresário e produtor ao mesmo tempo? São talentos e funções tão diferentes... mas como ter dinheiro pra pagar empresários e produtores competentes, se as leis não te dão dinheiro suficiente pra isso? Conheço mais o mercado de dança e a dança está sufocada. Sem chance. O que faremos daqui pra frente? Como manter um grupo? Como manter um elenco? Como manter um trabalho ano após ano? Como sustentar um ideal? E como sustentar um filho?
Artistas querem ser livres... precisam ser livres... mas estamos presos em editais duros e rígidos. Somos escravos das leis... como advinhar qual será sua criação daqui um ou dois anos? Como enlatar seu tempo de processo criativo no tempo da prestação de contas? Será que existe algum cursinho do tipo pré-vestibular que ensine como ser um artista de edital? E porque temos que ter um estréia anual? Porque os trabalhos desvalorizam depois de terem tido sua estréia? Eles não são carros!!! Pelo contrário, são como vinhos! As obras amadurecem com o tempo! E que loucura surreal é essa de estréia, estréia, estréia?! Quem inventou essa moda idiota???? ARTE. Estou falando de ARTE. Será que quem criou as leis entende de arte? Provavelmente não. Hoje vale a lei da quantidade, não da qualidade. O que faz do artista ser quem é, é justamente sua conexão com algo maior, com a força criativa da vida, sua inquietação, sua necessidade de mudar, de fazer diferente, questionar, libertar, alertar, instigar, harmonizar ou desarmonizar... O artista é aquele que ousa, que se expõe em prol de algo maior... nós artistas estamos a serviço da ARTE. Se as leis dos homens não nos protegem, que as Leis dos Anjos da ARTE estejam do nosso lado... que possamos ouvir seu sussurro em nossos ouvidos nos trazendo coragem, dignidade... nos unindo uns aos outros para caminharmos juntos e não em disputa... que o sussurro dos Anjos da ARTE nos inspirem nossas criações. Que sejamos leais à ARTE. E que por mais difícil que seja, continuemos em frente. Que os Anjos abram nossos caminhos e nos digam que vale à pena sim. Que eles nos lembrem de valores maiores, límpidos... que nos lembrem que devemos ser fiéis à nossa essência, à nossa alma. Que os Anjos da ARTE nos lembrem quem somos e pra que viemos.
Eu sou artista. Foi um Anjo que me lembrou disso.

Rosa Antuña

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Respeito Humano

De saco cheio. É exatamente como estou neste momento. Porque o ser humano tem o hábito de querer que os outros pensem, vistam, trepem e rezem como ele? Alguma necessidade de afirmação? Provavelmente. Já sei, já sei... a psicologia explica. Ego. Mas como isso é chato! E claro, meu ego do lado de cá se irrita com esses egos também insupórtáveis que tentam convencer os outros a serem como eles. Coisa chata.
Então é assim : você vai à sorveteria com uns amigos, escolhe um sorvete de cereja e um deles diz que você TEM que tomar o sorvete de côco! Se você não aceita nem experimentar, " porque é o melhor, como você ousa não querer?" o chato do amigo começa a insistir, então esta insistência insuportável e irritante começa a contaminar os outros amigos chatos. Você fica sozinho e completamente acuado e coagido por esses amigos insuportáveis falando insistentemente na sua cabeça que você TEM que tomar o maldito sorvete de côco, que a essas alturas para você, já se tornou um sorvete de cocô!
O que quero dizer com isso?
NÃO ME DIGAM EM QUEM EU TENHO QUE VOTAR, PORRA!
CADA UM ESCOLHE COM QUEM VAI TREPAR E EM QUEM VAI VOTAR E NINGUÉM TEM NADA COM ISSO!

e o voto é secreto.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

MULHER SELVAGEM estréia no 1,2 na Dança


FOTO : Guto Muniz

Mulher Selvagem - solo inspirado no livro MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, de Clarissa Pinkola Estés

Estréia em Belo Horizonte na 7a edição do 1,2 NA DANÇA , a se realizar no Teatro Alterosa
Dia 16 de setembro, quinta-feira, às 21:00hs
Ingressos a 12,00 reais inteira e 6,00 reais meia.


Dança, música, teatro e poesia são os recursos usados para expressar o tema “Mulher Selvagem”, que nada mais é do que a mulher criativa, livre, confiante e plena. Este solo, assim como o livro, busca nos lembrar de resgatar nossos instintos e permitir que nossa loba interior nos leve de volta para casa.

Em “Mulheres que correm com os Lobos”, livro de Clarissa Pínkola Estés, o termo mulher selvagem é usado para designar a mulher sadia em relação à sua essência feminina. A mulher livre que existe dentro de cada mulher. E essa mulher livre é aquela que cria. Todo o tempo ela cria. Pinta, canta, compõe, cozinha, escreve, dança, representa... A mulher selvagem é a própria força do feminino, com leveza, plenitude e consistência.
Por incrível que pareça, isso não é tão simples assim na prática. Devido à nossa estrutura social, cultural e histórica, a mulher selvagem foi açoitada, reprimida, condenada a vagar por áridos desertos ou florestas escuras repletas de feras. Infelizmente, muitas vezes esta metáfora foi algo literal.
Hoje, a mulher que perdeu o contato com seu feminino selvagem é aquela mulher amarga, abatida, masculinizada, confusa, frustrada... É a mulher sem EU. Anulada. Ela vive papéis. Vive em função do outro, mas nunca em função de si mesma. É a esposa, a mãe, a profissional boazinha demais. E enquanto ela corre de um lado para o outro, seu feminino torna-se um feminino sombrio. Sua mulher selvagem grita por socorro e faz de tudo para chamar sua atenção.
A mulher que perde seu instinto selvagem perde o fio da vida. Auto-sabotagem, medo, conflitos constantes, inveja, nenhuma auto-estima, dependência emocional, são apenas alguns dos problemas que surgem quando se perde o contato com a loba interior.
A autora do livro é uma pesquisadora e contadora de histórias. Ela trata deste assunto através de contos de fadas, histórias de povos antigos e de tribos indígenas. Faz uma análise profunda sobre os arquétipos, metáforas, personagens contidos nesses contos e revela a sabedoria oculta a tanto tempo sobre a importância de alimentar o feminino selvagem.

Há dois anos venho estudando este livro. Há dezoito anos estou em um caminho de auto-conhecimento, como uma buscadora. Estudei sete anos de Tarot, com uma abordagem Junguiana. Continuo e continuarei buscando enquanto eu existir. Buscando a verdade, a essência do ser, a harmonia da vida... mas nesse caminho que venho seguindo, tive que conhecer e conviver com a sombra. A inveja, o medo, ódio, conflitos, tristreza, frustração, amargura... e sei que muitas vezes perdi o fio.
O contato com este livro foi muito forte para mim. É impossível não se ver nele, sendo mulher. Ampliei meu olhar e vi que a importância do tema é urgente. Ele não fala de mim. Ele fala da mulher. Com um assunto tão rico e tão importante, sendo eu mulher e artista, senti um chamado a fazer algo com o tema mulher selvagem. Há dois anos venho me preparando para isso. E tem sido muito difícil, pois para conseguir chegar aqui, tive primeiramente que resgatar minha própria mulher selvagem que vagava por desertos de espinhos. Agora que aprendi o caminho e conheço seu risco, seu perigo, posso conduzir outras mulheres no resgate de sua loba interior.
A criação desse solo, MULHER SELVAGEM, que contém dança, poesia, teatro e música é a própria manifestação criativa de uma mulher que busca correr com os lobos.

Rosa Antuña


FOTO : Guto Muniz


FICHA TÉCNICA

Criação, coreografia, textos e interpretação : Rosa Antuña
Direção : Rosa Antuña
Figurino : Rosa Antuña
Cenário : Mário Nascimento e Rosa Antuña
Criação de luz : Mário Nascimento e Alberto Alvin Júnior
Técnico de luz : Alberto Alvin Júnior
Preparadora Vocal : Bárbara Penido
Trilha sonora (compilação) : Rosa Antuña
Edição de Áudio : Eduardo Borges
Produção : Cia MN

Apoio : Centro de Qualidade de Vida, Marcenaria, Dinâmica - Soluções em Saúde

Agradecimento : Mário Nascimento, Andrea Mourão, Eduardo Borges, José Villaça, Cia Mário Nascimento e meus pais Rosa Maria Antuña Martins e Nilseu Ferreira Martins

sábado, 14 de agosto de 2010

Tentativa Frustrada

Fui ao Teatro Marília pra assistir VIDA, uma peça do Paraná que está na programação do FIT. Era às 16:00hs. Cheguei às 16:15 e não pude entrar. "A porta está trancada por dentro", foi o que me disse a funcionária do teatro, muito simpática e chateada pois por ela, eu e outra senhora retardatária entraríamos. Tudo bem. Errada estava eu. Quer dizer que por quinze minutos, ninguém poderia entrar pra não atrapalhar a peça... certo. E a porta estava trancada por dentro... que bom, pois quem quiser então, pode destrancar a porta e sair quando quiser, assim espero! Ou será que não, pois atrapalharia a concentração dos atores você sair no meio da apresentação? Realmente, muitos artistas não permitem a entrada de público após começado o espetáculo. Realmente incomoda, perturba. E aqui no Brasil tem-se o hábito de se atrasar. Mas talvez as peças poderiam esperar um pouco mais pra começar. Ou não. É de cada um mesmo. Os ônibus atrasam, tudo atrasa... o salário. Na Alemanha não. Lá tudo é bastante pontual. Bem, de qualquer forma, em meus espetáculos, a porta estará sempre aberta pra entrar e pra sair.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ingressos FIT - aconteceu comigo

Numa bela tarde de sábado fui até 5ª avenida, na Savassi, não em Nova Iorque, comprar ingressos para o FIT (Festival Internacional de Teatro) em Belo Horizonte.
Chego no segundo andar procurando pelo “Ingresso Rápido”, como me foi indicado. Ouço uma música em alto e bom tom: era axé. Pensei : “- Vou passar longe!”, mas não pude fazê-lo, pois a melodia agradável vinha da loja de ingressos. Havia seis pessoas na minha frente. Eram três e meia da tarde. O estabelecimento fecharia às quatro. Demorou até chegar a minha vez, e, enquanto isso não acontecia, a fila foi aumentando. Chegaram mais umas seis pessoas. Eram homens muito alegres e animados, pois iriam comprar seus ingressos para assistir axé. Concentrei-me em meu jornal informativo para conferir as peças que me interessariam ir.
Chegou minha vez.
Comecei a dizer os nomes das peças para as quais eu gostaria de comprar os bilhetes. A simpática atendente, muito íntima, me interrompeu e disse : “- fala direto os nomes dos teatros e não das peças, senão não consigo aqui!”. Percebi que eu estava em outro planeta e seria importante que eu me mantivesse calma e observasse primeiramente os costumes daqueles seres estranhos. “- Pois não – eu disse. Só que eu tinha que ler em uma página do jornal o nome da peça, na outra o nome do Teatro... o processo foi ficando lento no “Ingresso Rápido”!
“- Bem - eu disse - quero ir no Cine Santa Tereza!” Neste momento a atendente fitou-me com desconfiança e compaixão : “- Nunca ouvi falar nisso!” Insisti : “- Cine Santa Tereza. É um cinema que foi reativado e é mais um espaço cultural na cidade.” Ela continuou olhando para mim com descrença. Lembrei-me que eu estava em outro planeta. Respirei fundo e insisti de novo. Finalmente, lentamente, ela achou no computador e acreditou em mim. Pedi-lhe, então, ingressos para o Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes. Para quê? Ela teve a mesma reação de incredulidade. Nunca havia ouvido falar naquela sala de teatro. Quis me dar ingressos para o Grande Teatro. Expliquei-lhe que aquele era um teatro menor, dentro do complexo da Fundação Clóvis Salgado... mas quanto mais eu explicava, pior ficava a situação! Os seres da fila me olhavam impacientes, o som do axé soava como um bombardeio em meus ouvidos, mas eu queria os ingressos e precisava passar por essa prova para consegui-los e então voltar para o meu planeta onde eu poderia ouvir música.
Demorou muito para que eu conseguisse comprar todos os ingressos que queria. Eu ia pagar com cartão de crédito, daquele que não precisa de senha, mas ela exigiu a senha; paguei no débito com outro cartão.
Acabou. Consegui. Hora de sair daquele estranho planeta axé e voltar ao planeta cultura.
Quando eu estava saindo, a ouvi dizer para a fila restante, em alto e bom tom : “ – Ninguém mais aqui vai comprar ingressos para o teatro não, né? “.

Rosa Antuña.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pela pele

Ando por aí à procura de um amor. Um amor bonito. Um amor de novela. Será que existe? Um amor romântico. Será que dura? Um amor inquieto. Um amor irritante. Um amor transparente. Um amor amor. Ando por aí à procura de um amor. Um amor que apenas ame. Um amor que se permita ser amado. Um amor instigante. Um amor excitante. Um amor que não seja bege claro. Ando por aí, é claro, à procura de um amor... que talvez nem exista! Será que eu quero que exista? Será que eu daria conta de tanto mel azulado? Amor melado... amor grudento... amor amassado. Não quero não. Talvez dê enjôo...

Sendo assim, quero então um amor que me enxergue. Um amor que derrame, que transborde. Quero um amor que descubra meu nome. Que descubra meus segredos. Quero um amor que se importe comigo. Que vá atraz de mim. Que me procure à noite e me ache. Quero um amor que se adapte. Quero um amor que conquiste. Quero um amor que se esforce, que se reinvente. Quero um amor que respeite. Um amor que me ouça pela alça da alma... quero um amor que advinhe, porque presta tanta atenção...

...não quero um amor que castigue, não quero não; nem quero um amor que estrague, muito menos um que atropele. Um amor que não divide, que só ama um...

Quero sim, um amor que se espalhe pela pele e diga :
"Vamos dançar ?"

terça-feira, 4 de maio de 2010

Enxaqueca

Depois de 7 dias com uma enxaqueca infernal pensei uma coisa: será que é isso que as lagartas sentem no casulo? Será que logo antes de virarem borboleta elas sentem dor? Medo? Insegurança? Será que acham que vão morrer? Será que por um instante desistem de tudo? Será que acham que vão explodir? Ou mais : será que sabem que precisam explodir, pois elas não cabem mais ali? E por um instante elas simplesmente se permitem...
E explodem.
E suas coloridas asas brilham ao sol.
E voam.

Será que estou virando borboleta? rsrs

Poesia Cura

A poesia cura.

Cura a alma machucadinha.
Cura o coração partidinho.
Cura a mente obsessivasinha.

A poesia preenche os espaços vazios do corpo com uma coisa sem nome...

E é bom... é tão bom que temos vontade de beber poesia, comer poesia, viver em poesia.

Temos vontade de trazer a poesia do lugar de onde ela vem e convidá-la para morar consoco...

Mostrar a vida "real" para ela; mas de longe, senão ela se machuca.

E de longe, ela consegue curar a vida da sua realidade machucada, partida e obsessiva.
Ela consegue ligar os pontos e formar um lindo desenho, ela derrama tintas coloridas pelo mundo, e nos traz um alimento que faz os olhos brilharem... mas esse alimento também não tem nome... as coisas da poesia não são muito de ter nome. Elas são.

A poesia nos lembra que palavras podem costurar vidas, alimentar os sonhos, tecer um amor estrelado...

A poesia nos faz lembrar quem somos : Anjos, Demônios e Humanos.

Rosa Antuña

domingo, 18 de abril de 2010

Há lugar para as borboletas?

Há ainda lugar para as borboletas? Num ecossistema equilibrado sim. Há lugar para todas as espécies. E há predadores e presas. E tudo flui harmoniosamente. Há espaço para os beija-flores e para os leões; para os tigres e para as libélulas.
Mas no nosso mundo não. Ultimamente só há espaço para os leões, tigres, búfalos, além de bandos de ratos e cobras que rastejam sorrateiramente. Não há espaço para os esquilos, canários, vagalumes... estes são massacrados. E para sobreviver são obrigados a fantasiarem-se de animais grandes, fortes fisicamente e violentos ou venenosos.
Onde está o espaço para a delicadeza? Onde está a gentileza e a educação? Onde está a calma e a paciência? Onde está a tolerância e a compreensão? A aceitação das diferenças?
O mundo é feito para os que brigam, para os mais rápidos, mais espertos... para ser alguém no mundo você tem que ser um vencedor. Não basta você ser você mesmo. Seja um vencedor. Seja o melhor. E se você for mau, cruel, tirano, comandará multidões que já estão condicionadas a cumprir ordens toscas.
Nosso planeta é tão bonito... com flores delicadas e árvores gigantescas, centenárias... há lugar na natureza para todas as diferenças. Apenas na humanidade isso não acontece.

Raça Humana

Racinha escrota essa tal de raça humana... tão escrota, que diz subdividir-se em outras raças e cada uma se considera melhor do que a outra! Tudo farinha do mesmo saco... tudo merda. Um bando de merdinhas acreditando ser algo superior. Só rindo mesmo.
Todo o caos que vemos em volta é apenas reflexo do que está dentro. Todos os vírus, doenças, tudo está dentro de nós em primeira instância. São vírus psíquicos de nossa mente obsoleta, são doenças do comportamento, são distúrbios do humor, são neuroses, psicoses... pobre raça estragada... somos como aqueles produtos que passaram da validade e foram jogados no lixo. E pensamos ser alguma coisa! E ainda subjugamos uns aos outros! E ainda somos prepotentes! Uau! Incrível! É de se orgulhar mesmo!
Mas existem exceções. Claro que existem. Tentam nos ensinar alguma coisa, com paciência, amor, sem nos julgar, às vezes sendo firmes como quando se educa uma criança mimada. Benditas exceções que se compadecem de nossa estupidez.
As raças se subjugam. Os continentes se subjugam. Os países se subjugam... os times de futebol... as torcidas... as igrejas... as religiões... as famílias... dentro das famílias... as profissões... todo o tempo em todas as circunstâncias estamos um subjugando o outro. Os amigos se subjugam.
É tão reconfortante quando um amigo tem um problema e podemos usar isso para nos sentirmos melhores do que ele, não é?
Por outro lado, quando um amigo começa a crescer, ganhar o mundo, projetar-se, ser feliz, logo os outros amigos frustrados com alguma coisa começam a puxá-lo pra baixo, com todas as forças, numa tentativa desesperada de deixarem tudo como está e assim, não olharem para os seus fracassos. Triste. Mas somos nós, a raça humana. Difícil. Mas somos nós, a raça humana.
Será que é tão difícil assim cuidar da própria vida? Será que é tão difícil assim não julgar o outro? Será que é tão difícil assim assumir a inveja, mágoa, raiva... e tentar mudar a si mesmo? Será que é tão difícil querer o bem da humanidade, da sua nação, da sua família, dos seus amigos? Será que é tão difícil progredir? Crescer juntos? Torcer pra que o outro seja feliz? Buscar a própria felicidade?
Porra!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pra se olhar no espelho

Um câncer. Quando é detectado um câncer, faz-se uma série de exames para saber em que estágio está. Pode haver cirurgia e provavelmente a quimioterapia. O cabelo cai, surgem olheiras enormes, passa-se muito mal... é doloroso e também sofrido. Após longo período de tratamento, grande maioria dos casos tem recuperação total. A cura acontece e o paciente torna-se uma pessoa mais forte do que era antes. Torna-se um grande guerreiro vencedor de uma grande guerra. E este guerreiro está vivo e quer , mais do que nunca, viver. Será que antes de começar a quimioterapia a pessoa (que ainda não sabia ser este guerreiro) teve medo? Será que este paciente quis fazer o tratamento? Será que ele quis desistir, quis morrer, quis fingir que isso não estava acontecendo? Será que ele tentou fugir, sabendo que esse seria um processo de cura muito doloroso? Provavelmente.
Talvez iniciar um processo terapêutico seja como o início de uma quimioterapia, num outro nível. A coragem de procurar a ajuda de um psicólogo, enfrentar o medo de se ver, a vontade de fugir e deixar como está... e o processo... doloroso, sofrido, amedrontador... não há perspectiva de cura. Entretanto, após iniciado não há mais como fugir. Não dá pra fingir que não viu. Não dá pra fingir que não sabe. A responsabilidade aumenta. E também o prazer. Um prazerzinho lá no fundo vai aumentando. Vai crescendo. Um prazer de ter coragem para curar todo esse câncer psíquico e emocional que pode destruir muitas vidas: a sua e a de quem você mais ama.
Insights acontecem... compreensão de coisas tão antigas... alívio... vergonha... culpa... mágoa... ódio... tudo vem e vai. Até que um belo dia você acorda e se olha no espelho. E pela primeira vez vê as suas rugas. Vê cabelos brancos. Vê que tem um buraco no seu dente. Sente então uma alegria imensa por estar se vendo, se aceitando e se amando pela primeira vez.

sábado, 20 de março de 2010

Ressonância Schumann

Antes, eu, pretensiosa, pensava que tinha, ou tínhamos ( um certo número de pessoas) uma missão de ajudar toda a humanidade. De certa forma temos, mas não como eu compreendia...
Ingenuamente, como eu poderia ser capaz de avisar o mundo sobre os acontecimentos vindouros, que mal eu sabia quais seriam? Como poderia ensinar a humanidade sobre como se preparar para as transformações futuras? E quem sou eu? Detentora da verdade absoluta? Rainha do conhecimento? A senhora do destino? A maga do tempo?
Nada disso. Sou apenas mais um ser humano na terra. Como todos. Feita de carne, ossos, sangue e sonhos.
Tenho em mim o mesmo DNA do início dos tempos, que também está em cada pessoa deste planeta. Tenho a mesma vulnerabilidade de cada gente que está viva por debaixo da pele. Tenho a mesma água que o mar... Estou sujeita às influências do magnetismo dos corpos celestes, do geomagnetismo da Terra e à aceleração da Ressonância Schumann, como se eu mesma fosse uma onda!
Tenho em mim o potencial genial de Einstein e toda a crueldade de Hitler.
Sou vulnerável ao amor e à maldade, à gargalhada e ao pranto, à doçura e à ira. Sou vulnerável a cada pessoa existente em nosso planeta azul. Estou sujeita à pensar o mesmo pensamento de toda a multidão que não pensa sozinha... e pior... estou sujeita a pensar algo que não é meu, achar que é e ainda, que é verdade e está certo.
Pobre de mim que penso tanto e não penso nada. Pobre de nós que nem sabemos o que fazem conosco...
E foi num curto instante de consciência, despertada em estado meditativo, indo além de nossas ondas beta, em estado alfa, ou mais além, que vislumbrei algo claro. Algo de dentro pra fora : salvar a humanidade, significa salvar a si mesmo, pois todos somos um.

Rosa Antuña

domingo, 14 de março de 2010

Denise Stoklos : fúria e arte

Ontem vi Denise Stoklos em sua peça LOUISE BOURGEOIS : FAÇO, DESFAÇO E REFAÇO. E como sempre ocorre comigo quando a vejo atuar, fiquei estarrecida.
Ver uma mestra em cena é sempre um momento único. E sei que tenho o prazer de vê-la em cena. Viva. Fervente. Borbulhante. Um furacão de palavras e gestos. Uma tempestade de emoções e atitudes. E quando ela nos leva cruelmente à beira da loucura, pára. E nos permite respirar, com a benevolência de uma grande atriz e diretora que nos conduz pacientemente pela mão e nos apresenta um novo mundo.
Quando a vejo atuar meu corpo se enche de febre inquietante. Sinto esperança e medo. Sinto coragem, loucura e respeito. Profundo respeito por este ser que está aqui trabalhando por nós e para nós, com uma entrega de Alma, corpo, carne...
Existe fúria em seus atos. Fúria e amor profundo. Amor concreto. Amor real. Somente por amor algo assim pode se materializar aqui. E isso se sente por todos os poros...
Sinto-me hoje uma humilde aprendiz da arte cênica. Uma humilde aprendiz da arte de criar para o palco, para si mesmo, para o público.
E ainda nessa peça, Denise incorpora outro ser imenso : Louise Bourgeois. Duas grandes mulheres selvagens em uma só.
Ontem fui engolida por elas.

Rosa Antuña