Próximas apresentações e workshops:

Rio de Janeiro:
- agosto: O Vestido - aguardem

E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!

segunda-feira, 18 de março de 2019

Estar bem


Estar bem é algo que não cai do ceu.
Exige-se esforço.
Para se manter o espírito elevado exige-se esforço.
Para se manter a moral alta exige-se esforço.
Nada cai do ceu.
Manter a altivez.
Manter a assertividade e o otimismo não é fácil.
Precisa querer.
Precisa se esforçar.
Nada cai do ceu.
Apenas chuvas e aviões.
Às vezes algumas pessoas.
Umas de para-quedas,
outras para a queda.
Afinal, é muito difícil manter a moral alta.
Mas vale a pena tentar.
Vale a pena tentar viver.
Pena morrer sem insistir na vida.
Insistir na vida que exige esforço.
Esforço não cai do ceu.
O esforço brota em uma fonte sem nome.
Brota em uma fonte que faz a gente gostar de vida.
Faz gostar de viver a vida.
Viver a vida.
Eu gosto de viver.

Há vida.

foto: Duda Lasa Casas

sábado, 16 de março de 2019

Merda!


Um teatro vazio.
Preparativos finais.
Hora de fechar a cortina e abrir a porta da frente.

O público entra.
Falante.
O teatro vazio fica cheio de gente.

Essa gente toda junta se torna um grande ser: o público.
Ele pulsa. Respira. Aguarda em suspensão.
Do outro lado da cortina os bailarinos estão.

Primeiro.
Segundo.
Terceiro sinal.

Todos em seus lugares.
A cortina se abre lentamente.
Começa o espetáculo.

Merda!


Foto: Duda Las Casas - espetáculo Nômade, dirigido por Mário Nascimento, para a Cia MN - abril 2013

segunda-feira, 11 de março de 2019

Ah! Vida...


Ah! Vida... sua efêmera!

Que a todo instante nos prega peças, nos faz de tolos e às vezes tenho a impressão que você ri de nós.

Ah! Vida... sua perversa.

Que nos coloca em armadilhas e observa fria, a nossa reação.

Ah! Vida... sua querida,

Que nos mostra novos caminhos e nos obriga a sair do conforto.

Ah! Vida... sua exigente!

Que nos espreme. Espreme. Espreme até virarmos um creminho.

Ah! Vida...


Sua safada!


Foto: Vitor Dutra, do espetáculo "Mulher Selvagem"

sábado, 9 de março de 2019

A Maldade


A maldade vem para nos lembrar de usarmos os nossos limites.
Limite do corpo.
Limite do osso.
Limite do queixo.
Limite que não deixo ultrapassar mais.

A maldade vem para tentar se espalhar em mim.
Mas não permito.
Apito na hora.
Eu grito: - Fora!

A maldade pode vir até fofinha
Ou vestida de rainha
Não me iludo
Expulso.
Expurgo.
Exonero!

A maldade pode vir forte, pode ser sorrateira, pode se disfarçar em conselho amigo, mas se tiver veneno
Eu me coço
E saio correndo!!



foto: Reyner Araujo, do espetáculo "Mulher Selvagem"

quinta-feira, 7 de março de 2019

Saudade do Kurt




Eu tinha 14 anos. Entrei na sala. A TV estava ligada. A imagem era a de um homem cantando e tocando com fúria e melancolia. A música me fez tremer. O público se jogava, se debatia. Eu poderia estar ali. Meu coração disparou. E senti uma identificação profunda. Com a imagem. Com a música. 

Foi a primeira vez que ouvi "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana. E naquele instante descobri como eu queria ser, como eu queria me comportar, ao menos naquele período da vida. 

Meu inconsciente leu uma infinidade de coisas que aquele som e aquela atitude traziam.
Mas aos 14 anos, eu não queria saber.

Só queria ser. 

Foi assim que virei grunge.


Hoje me bateu uma saudade do Kurt.





Fiz vestibular


Fiz vestibular.
Tava doida para contar:
passei em primeiro lugar!
- licenciatura em Belas Artes -
Na Escola Guignard!💗










E para quem se interessar meu blog novo com anotações e trabalhos durante meus estudos na Guignard é: www.escolaguignard.blogspot.com 

terça-feira, 5 de março de 2019

E Viva o Carnaval!


E Viva o Carnaval!
E quer saber? Precisamos muito do carnaval. Sim. Para espairecer, senão não dá para aguentar. Um respiro. Um alento. Ouvir aquela velha marchinha e sair dançando ao vento. Sorrir para pessoas que você não conhece. Se fantasiar do que você quiser - sso para mim é a melhor parte! Pessoas circulando pela cidade vestidas e pintadas como elas quiserem! Livres! Pelo menos em algum momento do ano temos esse direito! Na verdade, por mim, isso seria o ano inteiro!
E o frescor? O relaxamento? O bom humor? A boa vontade? Todo mundo mais tolerante. Parece que no carnaval ficamos de “Altas”, antes de começar o “pega-pega” de novo, o “polícia e ladrão”.
E em Bh o carnaval é também um ato político sim. Um ato de liberdade. Um ato de ocupar as ruas, que são públicas, pois são ruas! Em BH o carnaval começou como ato político e espero que continue assim. Em 10 anos tomou proporções impressionantes! Hoje tem blocos para todos os gostos, de todos os tamanhos e temáticas. Eu, particularmente, sou dessas que gosta de bloquinhos menores, onde tem espaço para dançar tranquila.
E hoje eu e meu companheiro fomos num bloquinho lindo: “Coco da Gente”. Todo mundo ali brincou o carnaval! Ah! E como é importante brincar! Sorrir! Abraçar! Gargalhar! E dançar! Dançar! Dançar! Saí de alma lavada.
Esses momentos nos fortalecem. Nos unem.
E como diz Chico Buarque: “E a gente vai se amando que também sem um carinho, ninguém segura esse rojão!”
E ninguém solta a mão de ninguém!








sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Feliz Ano Novo


Vejo a passagem de ano como um breve respiro.

 Um momento simbólico onde paramos para refletir sobre como foi o ano passado. Onde acertamos, onde erramos... o que tentamos. E o que podemos fazer para nos realizarmos no próximo ano que virá. Um momento para organizar as metas, refletir sobre quais realmente são nossos objetivos e buscar uma organização que nos ajude a realizá-los. Afeto, família, amigos, saúde, trabalho, realização profissional, dinheiro, imóveis, empreendimentos, cursos, riscos, segurança, finais, inícios, recomeços...

Estou especialmente mais introspectiva e reflexiva nesta passagem de ano. Para não dizer apreensiva.
Fazemos nossos planos... mas a vida vem do lado de fora e determina o nosso rumo. Então nos adaptamos. Então criamos outros caminhos e possibilidades.

Desejo a todos que 2019 seja um ano de despertar. Um ano de verdade. Um ano onde o amor e a misericórdia prevaleçam.

Que seja um ano criativo.

Que a Dança, a Arte e a Cultura sejam respeitadas. Sejam reconhecidas por sua importância no caminhar de uma sociedade.

Que 2019 seja um ano dançante.

Foto: Duda Las Casas

domingo, 2 de dezembro de 2018

No Dia em que Eu Morrer

E na linha do tempo da existência seria a vida na Terra um hiato?
Um hiato entre os dois pontos principais.
O de entrada. E o de saída.
E existe saída?
O que foi minha vida?
– Um susto. Foi só um susto.
- Um surto. Foi só um surto.
- Um sonho ruim. Foi apenas um sonho ruim.
Já passou. Já passou.
Depois que passa parece que tudo foi rápido demais.
E as coisas pelas quais eu brigava perdem imediatamente a importância.
Tudo perde a importância.
O que fica?
Qual o sentido de viver em um hiato?
O que é a vida?
- Uma sala de espera.
Tempo. Temos muito tempo.
E por pensarmos que temos muito tempo
Perdemos esse tempo.
Depois que perdemos o tempo percebemos que não temos mais tempo a perder.
Em nossa sala de espera.
Na verdade não importa muito o que fazemos para preencher o tempo da espera.
Mas precisamos nos ocupar com algo.
Com qualquer algo que nos ocupe, nos preencha e nos faça esquecer o que estamos esperando.

foto: Duda Las Casas

domingo, 25 de novembro de 2018

Participa da minha Loucura


Vem.
Participa da minha loucura
e mata-me aos poucos.
Como eu gosto.
Sê meu cúmplice
e mata-me aos poucos.
Bebe-me quente, em dose única.

Participa da minha loucura
e esfrega-me em teu corpo áspero.
Deposita-me no chão frio e úmido
e cospe-me qualquer palavra dita.
Maldita hora em que me conheceste,
pois agora, hás de convir que é tarde demais.
Não desiste. Vai até o fim.
Sou eu quem está pedindo.
Bate-me, maltrata-me
e cospe-me qualquer palavra quente.
Maldita gente rude...

Participa na minha loucura e mata-me aos poucos.
Como eu gosto.
Mata-me lento e degusta a minha sorte.
Sê meu cúmplice.
Vou amar-te e levar-te à morte.

foto: Duda Las Casas

*este texto escrevi para meu espetáculo solo de dança e teatro "Mulher Selvagem". A estreia foi em 2007, no Sesc Ribeirão Preto, SP.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Um Nome

Um nome!
É a única coisa que quero.
É a única coisa que preciso para voltar a existir.
Não precisa ser um nome composto.
Pode ser um nome simples, mas que tenha letra maiúscula.
Onde foi que perdi o fio?
Encontra a ponte e devolve meu nome.
Salva-me.
Antes que eu acabe com tudo.
Antes que eu me perca definitivamente em tuas florestas sombrias, antes que eu seque em teus desertos e me arranhe em teus espinhos.
Só eu posso te fazer sangrar muito e te afogar em tuas próprias lágrimas.
Salva-me enquanto é tempo.
Devolve o meu nome!

*escrevi este texto para o espetáculo “Mulher Selvagem”, primeiro solo da “Trilogia do Feminino”.


*Foto: Rony Moby (a foto foi na estreia do trabalho, no Sesc Ribeirão Preto, em 2010)

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Sapatos Vermelhos

Como foi que fiquei assim?

Os meus sapatos vermelhos eu mesma fiz com os retalhos que encontrei pelas ruas onde vivi. Eram o orgulho, a honra e a sobrevivência dessa pobre menina, durante o inverno.

Um dia vi uma carruagem dourada se aproximando. Ela parou do meu lado e de dentro dela uma velha senhora me convidou para ir com ela. Fui. Acreditei que o que ela me ofereceria seria muito melhor do que o que eu tinha!

Chegando na mansão da velha havia roupas e sapatos novos para mim. Tudo era bege claro. Me troquei e quando me dei conta, ela, a senhora, havia jogado os meus sapatos vermelhos na lareira.
Não deu para salvar nada. Restaram as cinzas. Cinzas e “beges claros”.

Ela quis que eu fizesse a primeira comunhão. Saímos para comprar sapatos novos para este evento tão importante para ela.
Entramos em uma loja onde havia um lindo par de sapatos vermelhos. Era tudo o que eu queria, mas a senhora nunca permitiria. Que que eu fiz? Na hora de embalar, troquei os sapatos beges horrorosos que ela havia comprado para mim, pelos vermelhos. Pronto. Estava feito.

Chegado o grande dia, na hora de entrar na Igreja, pus os meus sapatos vermelhos e entrei triunfante! A Igreja se calou. Em seguida as pessoas começaram a sussurrar coisas infames a meu respeito: “mulher...artista...vagabunda...” Até que alguém que nunca pecou atirou a primeira pedra. Começaram a gritar para que eu saísse dali.

Só que ao invés de correr eu comecei a dançar. Dancei. Linda e poderosa uma dança que só eu poderia dançar. Quanto mais gritavam, mais eu girava, pulava e gostava. Eu não pertencia àquele mundo hipócrita.

Desci a escadaria da Igreja aos saltos e fui dançando por toda a cidade, em cada canto, em cada gueto, livre!
Até que quis parar e vi que não podia. Não mais. Não conseguia mais parar. Eram os sapatos que dançavam agora. Descontrolados. Eu apenas os obedecia. Eles dançaram em direção à floresta, rumo à casa de um carrasco. Pensei ser a minha salvação, pois se ele cortasse as fivelas eu me veria livre dos sapatos! Só que não deu certo. Eu estava grudada neles. A verdade é que eu já pertencia a eles há muito tempo e eu estava exausta.

O carrasco olhou para mim. Ele era forte e cruel, é verdade. Mas era ele  quem estava do meu lado.

Eu não tinha escolha. Eu não tive escolha. Ele tinha um machado nas mãos. Foi quando olhei no fundo dos seus olhos e lhe dei uma ordem :
- “CORTA OS MEUS PÉS.”

*livre adaptação que fiz, à partir do livro "Mulheres que Correm com os Lobos", para meu solo "Mulher Selvagem".



foto: Jorge Etecheber

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Falo Por Ti


Fiz este poema em 2008, para o espetáculo "Faladores", da Cia Mário Nascimento:

Se eu por tantas vezes te perdi
Num sinal de total abnegação
Não foi essa a minha intenção
Eu quero aquela que estava aqui
Agora falo por mim e falo por ti
Venha já para me confortar direito
Quero de volta a palavra no meu peito
Libertando tudo o que estava trancado
E me diz o que foi que fiz de errado
Para vocês me olharem desse jeito?

Agora falo por mim e falo por ti

Venho tentando um discurso eloquente
Não importa se você não entende agora
Afinal são tantas línguas mundo afora
Pois vivemos na Babel inconsciente
Acreditando na mesma força onipresente
Chamada Deus, Jeová ou outro eleito
Presidente, governador, prefeito,
Mestre, doutor ou bem letrado
Qual palavra foi entendida errado
Para você se olharem desse jeito?

Agora falo por mim e falo por ti

foto: Cláudio Etges


domingo, 4 de novembro de 2018

Nunca vi isso

Nunca vi uma comemoração como essa. Com tanto ódio. No domingo à noite eu estava no carro com meu companheiro, passando pela Savassi, um grupo grande de eleitores de Bolsonaro no semáforo no cruzamento de Getúlio Vargas com Cristóvão Colombo exigiam que todos os carros ficassem buzinando em comemoração. Os carros que não buzinavam eles atacavam, chegando a cara no vidro e gritando: “petistas têm que morrer”! Foi muito intimidador. Fiquei com medo.
Às minhas amigas e amigos que votaram nele e que me disseram várias vezes que não vai ter ditadura, que eu estava exagerando, vocês acham correto esse comportamento? Eu sou obrigada a buzinar em comemoração?
Às minhas amigas e amigos, às mães e pais de colegas minhas, que me conhecem desde que sou garota, vocês acham que sou uma “petista que tem que morrer”?
Será que vocês entendem que nem todo eleitor de Bolsonaro é fascista, mas todos os eleitores fascistas votam nele?
Vocês acham que sou uma comunista? vocês sabiam que não tem comunismo no Brasil?
Vocês entendem que todas as palavras de ódio que o candidato de vocês proferiu deu aval à violência dos eleitores dele?
Se vocês, meus amigos, não são capazes de cometer esse tipo de agressão, vocês acreditam em mim quando digo que há uma grande parte dos eleitores dele que aprova isso?
Vocês acham certo a PM ter invadido dezenas de Universidades há uns dias atrás?
Vocês acham certo o vídeo de Bolsonaro que está circulando dizendo para os alunos filmarem os professores que estiverem “contra” o pensamento dele? Vocês entendem a gravidade disso?
Vocês vão continuar negando isso até quando?
Que preço foi esse que vocês escolheram pagar?
Vocês sabiam que existem vídeos sendo disseminados onde continuam alimentando esse tal ódio aos “comunistas”? Vocês sabiam que para ser chamado de “comunista” basta não ter votado no Bolso?
Meus amigos e amigas que votaram nele, vocês sabiam que o ódio continua sendo plantado?
E vocês? Foram contaminados por isso também? Ou será que agora começaram a entender o que está acontecendo aqui?
Vocês vão me defender quando me agredirem? Ou vocês vão inventar que sou “comunista” e que mereço ser agredida?
Vocês querem que me espanquem? Que sumam comigo? Que me matem?
Vocês acham que vocês terão controle sobre a grande parte de eleitores dele que está dizendo (alimentada por vídeos e memes produzidos pela equipe dele) que gays têm que morrer?
Tudo isso é normal para vocês? Vocês vão me ajudar? Vocês vão me proteger? Vocês vão me defender?
Ou vão continuar fingindo que não estão vendo?

foto: Duda Las Casas

A Dança Resiste



Antes do segundo turno, alguns artistas da dança se uniram e fizeram este vídeo:



“Nós somos artista da Dança.
Nós somos brasileiros.
Nós somos a favor da democracia.
Nossa categoria lutou muito para conquistar respeito.
A Dança é o nosso trabalho.
Há um candidato que é uma ameaça para nossa categoria.
Ele é contra qualquer tipo de Fomento à Arte, pretende acabar com o Ministério da Cultura e afirmou que vai acabar com o ensino da Dança nas escolas.
Nós, artistas da dança viemos dizer não a este retrocesso.
Nós não apoiamos um candidato que exalta a repressão e a tortura.
Nós não apoiamos um candidato que exalta a homofobia e a violência.
Nós não apoiamos um candidato que despreza as mulheres.
Nós não apoiamos um candidato racista.
É importante que todos os artistas, profissionais e estudantes de Dança saibam que nós somos vítimas em potencial em um governo fascista.

A DANÇA RESISTE”

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Oração do Amor

Em minhas mãos empunho uma espada de luz e não uma arma de fogo.
Uma forte corrente de oração é o que tranca minha casa para que o mal nunca entre.
Em meu lar brilha a luz do amor no conforto da família de afetos que crio com os seres iluminados que me protegem e com as pessoas sintonizadas com a paz que me envolve.
Que nada me perturbe.
Que nada me desanime.
Que nada me enfraqueça.
Em minha casa brilha o fogo do amor que aquece toda a minha comunidade.
O fogo desse amor do lar derrete os medos e preconceitos.
Esse fogo do amor ilumina as mentes para a compreensão da verdadeira família cósmica que se reencontra na Terra e se manifesta de formas e possibilidades diferentes.
O fogo do amor do meu lar traz o exemplo de acolhimento e respeito às pessoas, fazendo emergir valores verdadeiros que nos libertam dos aprisionamentos da mente.
Que o amor transforme.
Que o amor agregue.
Que o amor nos fortaleça.

Rosa Antuña

Foto: Duda Las Casas

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Vote 13


Sim, você vai ter que votar no PT. Se para você essa não seria a escolha, pois então vote no PT como falta de escolha. Vá lá na cabine eleitoral, aperte o 13, esbraveje, reclame, mas vote 13. Assuma sua falta de escolha, diga aos quatro ventos que não era isso que você queria, mas vote 13.

A questão agora não é escolher entre direita e esquerda. É uma questão de escolher entre liberdade e censura. Entre diálogo e violência. Entre respeito e opressão.
Esta não é uma eleição normal. Não está sendo decidido qual forma de administrar o país é melhor. A questão é maior do que isso. A questão vai muito além disso.

É hora de deixar de lado sua crença e vaidade de argumento que jamais votaria no PT.  Pois todos vamos votar no PT. Todos temos que votar no PT. Quem gosta votará com gosto, quem não gosta, com desgosto, mas todos precisamos votar 13. Passe por cima de suas convicções e tenha a grandeza de pensar no todo.

Eu, por exemplo, pensei que jamais votaria no PSDB. Mas para governador de Minas votarei em Anastasia. Passei por cima de minhas crenças e convicções, passo por cima do meu orgulho e admito que votarei no PSDB para segundo turno em Minas. O outro candidato, Zema, da corrente Bolsonaro, entre outras coisas não incentivará em nada a cultura e isso está escrito em seu plano de governo.
Não é vergonha votar em alguém que você não gosta. Então muitos dizem: eu não gosto de Bolsonaro, voto nele, pois o PT... e blábláblá. Ok. Mas não acredito nessa justificativa. Acreditaria se fosse entre quaisquer outros. Não acredito que votar em alguém que faz ode à tortura seja opção para ninguém.

Um senhor que hostiliza as mulheres, que diz que tirará da escola o ensino da dança, um senhor despreparado, mas que soube usar o marketing de que iria resolver a violência da país com bala. E ainda usa o nome de Deus. O nome de Jesus. Jesus fala de amor e tolerância. Jesus fala de respeito.
E para aquelas pessoas que me conhecem e me respeitam, que acompanham minha carreira, por favor, reflitam. A situação é grave e urgente.

Vote 13.

Rosa Antuña

foto: Duda las Casas



domingo, 30 de setembro de 2018

Ele Não!

Sou mulher, sou artista. Sim, sou feminista.

E sou amiga da liberdade.
Liberdade de escolha.
Liberdade de expressão.
Liberdade de ser.

Sou a favor da paz, do diálogo e da tolerância.
Sou a favor da cultura para crescimento da sociedade.
Sou a favor da diversidade.

#EleNão


sexta-feira, 28 de setembro de 2018


Descobri que realmente tenho fé.

Eu rezo.
Eu oro.
Eu medito.
Eu confio.
Eu gero luz.
Eu gero energia.
Eu me sintonizo com seres iluminados.
Eu acredito.
Eu amo.
Eu perdoo.
Eu recomeço.
Eu reconstruo.
Eu tento.
Eu me esforço.
Eu recupero.
Eu me levanto.
Eu me regenero.
Eu me perdoo.
Eu aprendo.
Eu transformo.
Eu transmuto.
Eu exorciso.
Eu sou senhora de mim.
Eu ocupo meu corpo.
Eu governo a minha vida.
E eu me conecto com as forças da natureza.
Eu atraio a boa sorte.
Eu recebo bênçãos das estrelas.

E minhas armas são feitas de luz.


 foto: Duda las Casas

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Por um Mundo com mais Amor


Imaginem um grande grupo de pessoas, vindas de diversas partes do país, reunidas em um grande congresso de determinado assunto.
Todas essas pessoas têm o interesse por este tal assunto como ponto em comum. Também tiveram foco, determinação e organização para chegar neste congresso.
- Não. Este texto não é sobre empreendedorismo.
Imaginem que são seis dias de congresso. Ficarão todos no mesmo hotel. Essas pessoas irão conviver bastante.
Pois vamos imaginar: ao final do sexto dia de congresso inúmeros pequenos grupos terão sido formados.
Alguns mais fechados. Outros mais abertos. Uns mais fofoqueiros. Uns que criticam como as outras pessoas se vestem... outro grupo critica como os outros se alimentam ou como caminham... Alguns se tornam panelinhas fechadas que ninguém entra. E tem também pessoas soltas que circulam um pouco em cada grupinho. Tem pessoas que se isolam. Tem grupos que criam verdadeiros laços de amizade.
Mas todos estes grupos e pessoas têm algo em comum, que foi o interesse pelo assunto do congresso e a determinação, o foco e a organização para conseguirem chegar lá! E na verdade  todos se respeitam por isso.
E tudo bem que estes grupos se formaram. Foi espontâneo. É natural. As afinidades, crenças e interesses uniram e agruparam essas pessoas. Mas com uma afinidade maior que unia a todas e todos. Havia um assunto maior em comum.
E se pensássemos que esse assunto fosse nossa vontade de viver? Fosse nosso desejo de viver em um país onde tudo funcione? Fosse ver nosso país prosperando? E se esse for o algo em comum que tenhamos?
Então é natural que as pessoas se agrupem de acordo com suas crenças, afinidades, ideologias, gosto musical, religião... Mas um grupo precisa respeitar o outro grupo. Precisamos aprender a conviver, afinal, há algo muito amor que nos une.
Mas existem diferenças no jeito de perceber o mundo. No jeito de perceber como as relações sociais são construídas.
E precisamos dar espaço para o outro. Não podemos linchar ninguém, nem virtualmente, nem fisicamente.
Precisamos entender que talvez um outro grupo entende a vida de um jeito muito diferente do meu grupo.
Mas ainda assim, temos algo em comum. Algo maior. Nós trazemos em nossas células a história da humanidade. A memória de tudo o que foi feito de bom e de ruim. Temos ancestrais. Teremos descendentes. A vida segue e nós somos uma poeira na história.
O vento nos soprará. O que significamos no infinito do Universo? Quem somos nós diante do grande mistério da existência?
Brigar entre nós não faz sentido. Mas sim, somos diferentes. E somos muito parecidos em nossas diferenças.
Se começarmos a nos olhar com mais amor, talvez comecemos a enxergar o outro e a ouvir.
Todos temos nossas razões. Não devemos condenar as crenças uns dos outros.
Somos diferentes.
Somos parecidos.
Somos iguais.
Somos cópias.
Somos originais.
Somos tentativas.
Somos aprendizes.
Somos opostos.
Somos um.

É hora de nos unirmos e nos respeitarmos por um mundo com mais amor.



*   Lembrando que uma postagem de blog é apenas uma pecinha dentro do quebra-cabeças do entendimento.


foto: Duda Las Casas