Racinha escrota essa tal de raça humana... tão escrota, que diz subdividir-se em outras raças e cada uma se considera melhor do que a outra! Tudo farinha do mesmo saco... tudo merda. Um bando de merdinhas acreditando ser algo superior. Só rindo mesmo.
Todo o caos que vemos em volta é apenas reflexo do que está dentro. Todos os vírus, doenças, tudo está dentro de nós em primeira instância. São vírus psíquicos de nossa mente obsoleta, são doenças do comportamento, são distúrbios do humor, são neuroses, psicoses... pobre raça estragada... somos como aqueles produtos que passaram da validade e foram jogados no lixo. E pensamos ser alguma coisa! E ainda subjugamos uns aos outros! E ainda somos prepotentes! Uau! Incrível! É de se orgulhar mesmo!
Mas existem exceções. Claro que existem. Tentam nos ensinar alguma coisa, com paciência, amor, sem nos julgar, às vezes sendo firmes como quando se educa uma criança mimada. Benditas exceções que se compadecem de nossa estupidez.
As raças se subjugam. Os continentes se subjugam. Os países se subjugam... os times de futebol... as torcidas... as igrejas... as religiões... as famílias... dentro das famílias... as profissões... todo o tempo em todas as circunstâncias estamos um subjugando o outro. Os amigos se subjugam.
É tão reconfortante quando um amigo tem um problema e podemos usar isso para nos sentirmos melhores do que ele, não é?
Por outro lado, quando um amigo começa a crescer, ganhar o mundo, projetar-se, ser feliz, logo os outros amigos frustrados com alguma coisa começam a puxá-lo pra baixo, com todas as forças, numa tentativa desesperada de deixarem tudo como está e assim, não olharem para os seus fracassos. Triste. Mas somos nós, a raça humana. Difícil. Mas somos nós, a raça humana.
Será que é tão difícil assim cuidar da própria vida? Será que é tão difícil assim não julgar o outro? Será que é tão difícil assim assumir a inveja, mágoa, raiva... e tentar mudar a si mesmo? Será que é tão difícil querer o bem da humanidade, da sua nação, da sua família, dos seus amigos? Será que é tão difícil progredir? Crescer juntos? Torcer pra que o outro seja feliz? Buscar a própria felicidade?
Porra!
Textos, poemas, reflexões e também fotos de espetáculos e bastidores de viagens, criações e apresentações
Próximas apresentações e workshops:
Rio de Janeiro:
- agosto: O Vestido - aguardem
E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!
domingo, 18 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Pra se olhar no espelho
Um câncer. Quando é detectado um câncer, faz-se uma série de exames para saber em que estágio está. Pode haver cirurgia e provavelmente a quimioterapia. O cabelo cai, surgem olheiras enormes, passa-se muito mal... é doloroso e também sofrido. Após longo período de tratamento, grande maioria dos casos tem recuperação total. A cura acontece e o paciente torna-se uma pessoa mais forte do que era antes. Torna-se um grande guerreiro vencedor de uma grande guerra. E este guerreiro está vivo e quer , mais do que nunca, viver. Será que antes de começar a quimioterapia a pessoa (que ainda não sabia ser este guerreiro) teve medo? Será que este paciente quis fazer o tratamento? Será que ele quis desistir, quis morrer, quis fingir que isso não estava acontecendo? Será que ele tentou fugir, sabendo que esse seria um processo de cura muito doloroso? Provavelmente.
Talvez iniciar um processo terapêutico seja como o início de uma quimioterapia, num outro nível. A coragem de procurar a ajuda de um psicólogo, enfrentar o medo de se ver, a vontade de fugir e deixar como está... e o processo... doloroso, sofrido, amedrontador... não há perspectiva de cura. Entretanto, após iniciado não há mais como fugir. Não dá pra fingir que não viu. Não dá pra fingir que não sabe. A responsabilidade aumenta. E também o prazer. Um prazerzinho lá no fundo vai aumentando. Vai crescendo. Um prazer de ter coragem para curar todo esse câncer psíquico e emocional que pode destruir muitas vidas: a sua e a de quem você mais ama.
Insights acontecem... compreensão de coisas tão antigas... alívio... vergonha... culpa... mágoa... ódio... tudo vem e vai. Até que um belo dia você acorda e se olha no espelho. E pela primeira vez vê as suas rugas. Vê cabelos brancos. Vê que tem um buraco no seu dente. Sente então uma alegria imensa por estar se vendo, se aceitando e se amando pela primeira vez.
Talvez iniciar um processo terapêutico seja como o início de uma quimioterapia, num outro nível. A coragem de procurar a ajuda de um psicólogo, enfrentar o medo de se ver, a vontade de fugir e deixar como está... e o processo... doloroso, sofrido, amedrontador... não há perspectiva de cura. Entretanto, após iniciado não há mais como fugir. Não dá pra fingir que não viu. Não dá pra fingir que não sabe. A responsabilidade aumenta. E também o prazer. Um prazerzinho lá no fundo vai aumentando. Vai crescendo. Um prazer de ter coragem para curar todo esse câncer psíquico e emocional que pode destruir muitas vidas: a sua e a de quem você mais ama.
Insights acontecem... compreensão de coisas tão antigas... alívio... vergonha... culpa... mágoa... ódio... tudo vem e vai. Até que um belo dia você acorda e se olha no espelho. E pela primeira vez vê as suas rugas. Vê cabelos brancos. Vê que tem um buraco no seu dente. Sente então uma alegria imensa por estar se vendo, se aceitando e se amando pela primeira vez.
sábado, 20 de março de 2010
Ressonância Schumann
Antes, eu, pretensiosa, pensava que tinha, ou tínhamos ( um certo número de pessoas) uma missão de ajudar toda a humanidade. De certa forma temos, mas não como eu compreendia...
Ingenuamente, como eu poderia ser capaz de avisar o mundo sobre os acontecimentos vindouros, que mal eu sabia quais seriam? Como poderia ensinar a humanidade sobre como se preparar para as transformações futuras? E quem sou eu? Detentora da verdade absoluta? Rainha do conhecimento? A senhora do destino? A maga do tempo?
Nada disso. Sou apenas mais um ser humano na terra. Como todos. Feita de carne, ossos, sangue e sonhos.
Tenho em mim o mesmo DNA do início dos tempos, que também está em cada pessoa deste planeta. Tenho a mesma vulnerabilidade de cada gente que está viva por debaixo da pele. Tenho a mesma água que o mar... Estou sujeita às influências do magnetismo dos corpos celestes, do geomagnetismo da Terra e à aceleração da Ressonância Schumann, como se eu mesma fosse uma onda!
Tenho em mim o potencial genial de Einstein e toda a crueldade de Hitler.
Sou vulnerável ao amor e à maldade, à gargalhada e ao pranto, à doçura e à ira. Sou vulnerável a cada pessoa existente em nosso planeta azul. Estou sujeita à pensar o mesmo pensamento de toda a multidão que não pensa sozinha... e pior... estou sujeita a pensar algo que não é meu, achar que é e ainda, que é verdade e está certo.
Pobre de mim que penso tanto e não penso nada. Pobre de nós que nem sabemos o que fazem conosco...
E foi num curto instante de consciência, despertada em estado meditativo, indo além de nossas ondas beta, em estado alfa, ou mais além, que vislumbrei algo claro. Algo de dentro pra fora : salvar a humanidade, significa salvar a si mesmo, pois todos somos um.
Rosa Antuña
Ingenuamente, como eu poderia ser capaz de avisar o mundo sobre os acontecimentos vindouros, que mal eu sabia quais seriam? Como poderia ensinar a humanidade sobre como se preparar para as transformações futuras? E quem sou eu? Detentora da verdade absoluta? Rainha do conhecimento? A senhora do destino? A maga do tempo?
Nada disso. Sou apenas mais um ser humano na terra. Como todos. Feita de carne, ossos, sangue e sonhos.
Tenho em mim o mesmo DNA do início dos tempos, que também está em cada pessoa deste planeta. Tenho a mesma vulnerabilidade de cada gente que está viva por debaixo da pele. Tenho a mesma água que o mar... Estou sujeita às influências do magnetismo dos corpos celestes, do geomagnetismo da Terra e à aceleração da Ressonância Schumann, como se eu mesma fosse uma onda!
Tenho em mim o potencial genial de Einstein e toda a crueldade de Hitler.
Sou vulnerável ao amor e à maldade, à gargalhada e ao pranto, à doçura e à ira. Sou vulnerável a cada pessoa existente em nosso planeta azul. Estou sujeita à pensar o mesmo pensamento de toda a multidão que não pensa sozinha... e pior... estou sujeita a pensar algo que não é meu, achar que é e ainda, que é verdade e está certo.
Pobre de mim que penso tanto e não penso nada. Pobre de nós que nem sabemos o que fazem conosco...
E foi num curto instante de consciência, despertada em estado meditativo, indo além de nossas ondas beta, em estado alfa, ou mais além, que vislumbrei algo claro. Algo de dentro pra fora : salvar a humanidade, significa salvar a si mesmo, pois todos somos um.
Rosa Antuña
domingo, 14 de março de 2010
Denise Stoklos : fúria e arte
Ontem vi Denise Stoklos em sua peça LOUISE BOURGEOIS : FAÇO, DESFAÇO E REFAÇO. E como sempre ocorre comigo quando a vejo atuar, fiquei estarrecida.
Ver uma mestra em cena é sempre um momento único. E sei que tenho o prazer de vê-la em cena. Viva. Fervente. Borbulhante. Um furacão de palavras e gestos. Uma tempestade de emoções e atitudes. E quando ela nos leva cruelmente à beira da loucura, pára. E nos permite respirar, com a benevolência de uma grande atriz e diretora que nos conduz pacientemente pela mão e nos apresenta um novo mundo.
Quando a vejo atuar meu corpo se enche de febre inquietante. Sinto esperança e medo. Sinto coragem, loucura e respeito. Profundo respeito por este ser que está aqui trabalhando por nós e para nós, com uma entrega de Alma, corpo, carne...
Existe fúria em seus atos. Fúria e amor profundo. Amor concreto. Amor real. Somente por amor algo assim pode se materializar aqui. E isso se sente por todos os poros...
Sinto-me hoje uma humilde aprendiz da arte cênica. Uma humilde aprendiz da arte de criar para o palco, para si mesmo, para o público.
E ainda nessa peça, Denise incorpora outro ser imenso : Louise Bourgeois. Duas grandes mulheres selvagens em uma só.
Ontem fui engolida por elas.
Rosa Antuña
Ver uma mestra em cena é sempre um momento único. E sei que tenho o prazer de vê-la em cena. Viva. Fervente. Borbulhante. Um furacão de palavras e gestos. Uma tempestade de emoções e atitudes. E quando ela nos leva cruelmente à beira da loucura, pára. E nos permite respirar, com a benevolência de uma grande atriz e diretora que nos conduz pacientemente pela mão e nos apresenta um novo mundo.
Quando a vejo atuar meu corpo se enche de febre inquietante. Sinto esperança e medo. Sinto coragem, loucura e respeito. Profundo respeito por este ser que está aqui trabalhando por nós e para nós, com uma entrega de Alma, corpo, carne...
Existe fúria em seus atos. Fúria e amor profundo. Amor concreto. Amor real. Somente por amor algo assim pode se materializar aqui. E isso se sente por todos os poros...
Sinto-me hoje uma humilde aprendiz da arte cênica. Uma humilde aprendiz da arte de criar para o palco, para si mesmo, para o público.
E ainda nessa peça, Denise incorpora outro ser imenso : Louise Bourgeois. Duas grandes mulheres selvagens em uma só.
Ontem fui engolida por elas.
Rosa Antuña
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Festas - Dinheiro - Cultura
Que porra é essa?
Alguém me explica, como num país de terceiro mundo, repleto de analfabetos, traficantes, viciados, prostituição infantil, fome, miséria, ignorância, estupidez, usa-se leis de incentivo a CULTURA para promover festas, shows gigantescos, onde as cifras são altíssimas?! Os ingressos custam caríssimo!!!!!
Não critico festas. Sim. Todos merecemos cantar e dançar. Todos precisamos de música e alegria. Mas como os ingressos são tão caros, se foi usado DINHEIRO PÚBLICO????? Os ingressos deveriam ser baratíssimos. Mas a elite quer fazer de conta que vive na Disney, não é mesmo? Vivemos num país onde está tudo muito bem! Então qual o problema de usar o dinheiro da cultura para promover shows efêmeros, onde todos beberão até cair? Viva o pão e o circo! Vamos todos cair na merda de onde viemos! Vamos nos entorpecer e gastar fortunas com futilidades! Vamos pagar caro pelos ingressos! Assim não corre o risco de ter gente pobre, não é mesmo? Só que esses locais são lotados de gente POBRE DE ESPÍRITO! E eu estou pouco me fodendo! Estou de saco cheio disso tudo!
As pessoas estão entorpecidas. Os valores deturpados. E a maioria dos artistas deste país está fodida. A luta pra se sustentar um grupo de dança, teatro, música ou instituição é imensa! As escolas que ensinam alguma arte estão fodidas. Os jovens artistas que chegam, estão fodidos. A ARTE precisa de ajuda e apoio. O que aconteceu pra CULTURA ser tão desvalorizada? A qualidade do ensino relativo à cultura, seja dança, música, artes plásticas caiu muito... As pessoas não conseguem mais se aprofundar? Dói tanto assim? A ARTE faz o mundo pensar e sentir. A ARTE é que sublima a MATÉRIA e nos conecta à ALMA. A ARTE é quem traz consciência, humanidade... A ARTE nos revela, nos faz renascer... Porque as pessoas querem apenas ficar na superfície? Querem apenas beber até cair... trepar até gozar... pular até cansar... gritar até perder a voz... e então dormir. Pra depois acordar. E pensar que fez alguma coisa... e durante a semana suportar o que é igual... agir como foi ensinado... sorrir muito bem educado... manter um casamento acabado... pra então chegar o dia tão esperado do show do entorpecimento, com drogas, sexo, aparências, e dinheiro público de um paìs pobre e carente.
Talvez agora eu pare de escrever... e saia pra beber.
Rosa Antuña.
Alguém me explica, como num país de terceiro mundo, repleto de analfabetos, traficantes, viciados, prostituição infantil, fome, miséria, ignorância, estupidez, usa-se leis de incentivo a CULTURA para promover festas, shows gigantescos, onde as cifras são altíssimas?! Os ingressos custam caríssimo!!!!!
Não critico festas. Sim. Todos merecemos cantar e dançar. Todos precisamos de música e alegria. Mas como os ingressos são tão caros, se foi usado DINHEIRO PÚBLICO????? Os ingressos deveriam ser baratíssimos. Mas a elite quer fazer de conta que vive na Disney, não é mesmo? Vivemos num país onde está tudo muito bem! Então qual o problema de usar o dinheiro da cultura para promover shows efêmeros, onde todos beberão até cair? Viva o pão e o circo! Vamos todos cair na merda de onde viemos! Vamos nos entorpecer e gastar fortunas com futilidades! Vamos pagar caro pelos ingressos! Assim não corre o risco de ter gente pobre, não é mesmo? Só que esses locais são lotados de gente POBRE DE ESPÍRITO! E eu estou pouco me fodendo! Estou de saco cheio disso tudo!
As pessoas estão entorpecidas. Os valores deturpados. E a maioria dos artistas deste país está fodida. A luta pra se sustentar um grupo de dança, teatro, música ou instituição é imensa! As escolas que ensinam alguma arte estão fodidas. Os jovens artistas que chegam, estão fodidos. A ARTE precisa de ajuda e apoio. O que aconteceu pra CULTURA ser tão desvalorizada? A qualidade do ensino relativo à cultura, seja dança, música, artes plásticas caiu muito... As pessoas não conseguem mais se aprofundar? Dói tanto assim? A ARTE faz o mundo pensar e sentir. A ARTE é que sublima a MATÉRIA e nos conecta à ALMA. A ARTE é quem traz consciência, humanidade... A ARTE nos revela, nos faz renascer... Porque as pessoas querem apenas ficar na superfície? Querem apenas beber até cair... trepar até gozar... pular até cansar... gritar até perder a voz... e então dormir. Pra depois acordar. E pensar que fez alguma coisa... e durante a semana suportar o que é igual... agir como foi ensinado... sorrir muito bem educado... manter um casamento acabado... pra então chegar o dia tão esperado do show do entorpecimento, com drogas, sexo, aparências, e dinheiro público de um paìs pobre e carente.
Talvez agora eu pare de escrever... e saia pra beber.
Rosa Antuña.
domingo, 5 de julho de 2009
Sexo-Dança-Prazer-Palco-Êxtase
Casamento. Rotina. Cumplicidade. Amor. Amizade. Tesão? Paixão? Talvez as duas últimas palavras fiquem realmente mais para o final... mas mesmo assim vale à pena. Talvez nem todos os casamentos valham à pena... mas muitos valem sim.
E o que fazer quando a paixão passa... o que fazer naquelas fases mornas que todo relacionamento enfrenta... o que fazer para sair da rotina e apimentar um pouco a vida a dois? Sexo. Queremos fazer sexo. Que casal aguenta fazer sexo por quarenta, cinquenta anos, todos os dias??? Quando o sexo vira rotina, tanto faz fazer sexo ou escovar os dentes. Geralmente a segunda opção é até mais prazeirosa. Já quando o casal transa com menos frequência, a tendência é manter a qualidade, o prazer, a magia... no sexo tântrico os parceiros seguram o gozo, degustando cada momento, cada nuance... e finalmente, no dia do "espetáculo" vem o êxtase!
A rotina de muitos bailarinos, principalmente clássicos, é massacrante. Dói. Será que com o passar dos anos eles vão perdendo o tesão pela dança? Será que a dança começa como um amante sedutor e termina como um marido barrigudo, empunhando uma latinha de cerveja enquanto assiste o futebol ? Assim como muitas mulheres podem fingir lindamente um orgasmo, será que muitos bailarinos não estão fingindo também ao ir para o palco?
Em muitas companhias clássicas, bailarinos com trinta e quatro, trinta e cinco anos já pensam em se aposentar; já estão machucados, e muitos deles, decepcionados...
Até que ponto esse "over use" do bailarino compensa? O bailarino tem que dançar muito. O lugar dele é no palco. Reflito apenas sobre o abuso. Sobre ir além do que seria saudável e prazeiroso pra esse artista. Existem companhias que fazem longas temporadas de terça a domingo. A partir do momento que a arte vira um produto industrial, será que funciona? Funciona para o público, para a empresa... mas para cada artista, será que funciona? Tudo é uma questão de medida e equilíbrio. Dançar pouco é frustrante. Dançar em excesso, massacrante. É preciso dançar o suficiente para que continuemos excitados em cena. Para que gozemos nos espetáculos. Nossa rotina de trabalho também precisa de recursos para não nos aprisionar. Somos artistas. E trabalhamos com arte. Tudo isso é a medida do suor, do esforço, da rotina, do frescor, da disciplina, da surpresa, da emoção, da pausa, do silêncio, da catarse, do amor, do tesão, da paixão, do êxtase e do orgasmo.
E enquanto houver amor... dançarei com você.
E enquanto houver paixão... dançarei para você.
E neste casamento... que a dança seja o marido em quem confio e o amante a quem me entrego.
Rosa Antuña
E o que fazer quando a paixão passa... o que fazer naquelas fases mornas que todo relacionamento enfrenta... o que fazer para sair da rotina e apimentar um pouco a vida a dois? Sexo. Queremos fazer sexo. Que casal aguenta fazer sexo por quarenta, cinquenta anos, todos os dias??? Quando o sexo vira rotina, tanto faz fazer sexo ou escovar os dentes. Geralmente a segunda opção é até mais prazeirosa. Já quando o casal transa com menos frequência, a tendência é manter a qualidade, o prazer, a magia... no sexo tântrico os parceiros seguram o gozo, degustando cada momento, cada nuance... e finalmente, no dia do "espetáculo" vem o êxtase!
A rotina de muitos bailarinos, principalmente clássicos, é massacrante. Dói. Será que com o passar dos anos eles vão perdendo o tesão pela dança? Será que a dança começa como um amante sedutor e termina como um marido barrigudo, empunhando uma latinha de cerveja enquanto assiste o futebol ? Assim como muitas mulheres podem fingir lindamente um orgasmo, será que muitos bailarinos não estão fingindo também ao ir para o palco?
Em muitas companhias clássicas, bailarinos com trinta e quatro, trinta e cinco anos já pensam em se aposentar; já estão machucados, e muitos deles, decepcionados...
Até que ponto esse "over use" do bailarino compensa? O bailarino tem que dançar muito. O lugar dele é no palco. Reflito apenas sobre o abuso. Sobre ir além do que seria saudável e prazeiroso pra esse artista. Existem companhias que fazem longas temporadas de terça a domingo. A partir do momento que a arte vira um produto industrial, será que funciona? Funciona para o público, para a empresa... mas para cada artista, será que funciona? Tudo é uma questão de medida e equilíbrio. Dançar pouco é frustrante. Dançar em excesso, massacrante. É preciso dançar o suficiente para que continuemos excitados em cena. Para que gozemos nos espetáculos. Nossa rotina de trabalho também precisa de recursos para não nos aprisionar. Somos artistas. E trabalhamos com arte. Tudo isso é a medida do suor, do esforço, da rotina, do frescor, da disciplina, da surpresa, da emoção, da pausa, do silêncio, da catarse, do amor, do tesão, da paixão, do êxtase e do orgasmo.
E enquanto houver amor... dançarei com você.
E enquanto houver paixão... dançarei para você.
E neste casamento... que a dança seja o marido em quem confio e o amante a quem me entrego.
Rosa Antuña
quinta-feira, 2 de julho de 2009
A Miséria Humana
A miséria humana está muito mais próxima do que se imagina.
Não me refiro apenas ao óbvio. Pobreza, ignorância, violência, abuso... isso é fácil de perceber. E é graças a essa miséria explícita que nós nos omitimos. Escondemos de nós mesmos a verdade. Afinal, há tantas coisas tão mais graves, urgentes, emergenciais... Todos nós nos tornamos anjos ingênuos e horrorizados diante de pais que atiram seus filhos das janelas. Todos nós nos sentimos bons e dignos, diante de notícias de políticos que roubam milhões. Todos nós temos a verdade e a consciência, quando condenamos traficantes, bandidos... todos nós somos tão castos e puros diante de estupradores... Sorte nossa que esse mal tão grande e paupável existe. Ele é tão grande, que faz com que a nossa miséria e hipocrisia interna fique à sua sombra... em silêncio... e permitida. Sim. A inveja que sinto não é miséria. A cobiça que retenho não é miséria. A arrogância que sustento não é miséria. A covardia que alimento não é miséria. E assim caminha a nossa humanidade de quatro patas. É triste ver pessoas próximas fingindo, mentindo, impedindo... é triste ver as pessoas competindo, com medo umas das outras. É triste ver as pessoas se ferindo. Elas deveriam se ajudar e fortalecer mutuamente... deveriam dizer a verdade, ao menos a verdade. Por mais difícil que seja, a verdade é digna. A verdade respeita. A verdade ouve e vê. A verdade é. É triste ter que se distanciar por falta de escolha, por autopreservação. Estou cansada de sorrisos planejados. Estou cansada de ver a burrice invejosa que impede o crescimento e a prosperidade do todo. Estou triste e frustrada com a nossa raça. Tenho vergonha de nós. Tenho vergonha de mim.
Rosa Antuña
Não me refiro apenas ao óbvio. Pobreza, ignorância, violência, abuso... isso é fácil de perceber. E é graças a essa miséria explícita que nós nos omitimos. Escondemos de nós mesmos a verdade. Afinal, há tantas coisas tão mais graves, urgentes, emergenciais... Todos nós nos tornamos anjos ingênuos e horrorizados diante de pais que atiram seus filhos das janelas. Todos nós nos sentimos bons e dignos, diante de notícias de políticos que roubam milhões. Todos nós temos a verdade e a consciência, quando condenamos traficantes, bandidos... todos nós somos tão castos e puros diante de estupradores... Sorte nossa que esse mal tão grande e paupável existe. Ele é tão grande, que faz com que a nossa miséria e hipocrisia interna fique à sua sombra... em silêncio... e permitida. Sim. A inveja que sinto não é miséria. A cobiça que retenho não é miséria. A arrogância que sustento não é miséria. A covardia que alimento não é miséria. E assim caminha a nossa humanidade de quatro patas. É triste ver pessoas próximas fingindo, mentindo, impedindo... é triste ver as pessoas competindo, com medo umas das outras. É triste ver as pessoas se ferindo. Elas deveriam se ajudar e fortalecer mutuamente... deveriam dizer a verdade, ao menos a verdade. Por mais difícil que seja, a verdade é digna. A verdade respeita. A verdade ouve e vê. A verdade é. É triste ter que se distanciar por falta de escolha, por autopreservação. Estou cansada de sorrisos planejados. Estou cansada de ver a burrice invejosa que impede o crescimento e a prosperidade do todo. Estou triste e frustrada com a nossa raça. Tenho vergonha de nós. Tenho vergonha de mim.
Rosa Antuña
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