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E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Enxaqueca

Depois de 7 dias com uma enxaqueca infernal pensei uma coisa: será que é isso que as lagartas sentem no casulo? Será que logo antes de virarem borboleta elas sentem dor? Medo? Insegurança? Será que acham que vão morrer? Será que por um instante desistem de tudo? Será que acham que vão explodir? Ou mais : será que sabem que precisam explodir, pois elas não cabem mais ali? E por um instante elas simplesmente se permitem...
E explodem.
E suas coloridas asas brilham ao sol.
E voam.

Será que estou virando borboleta? rsrs

Poesia Cura

A poesia cura.

Cura a alma machucadinha.
Cura o coração partidinho.
Cura a mente obsessivasinha.

A poesia preenche os espaços vazios do corpo com uma coisa sem nome...

E é bom... é tão bom que temos vontade de beber poesia, comer poesia, viver em poesia.

Temos vontade de trazer a poesia do lugar de onde ela vem e convidá-la para morar consoco...

Mostrar a vida "real" para ela; mas de longe, senão ela se machuca.

E de longe, ela consegue curar a vida da sua realidade machucada, partida e obsessiva.
Ela consegue ligar os pontos e formar um lindo desenho, ela derrama tintas coloridas pelo mundo, e nos traz um alimento que faz os olhos brilharem... mas esse alimento também não tem nome... as coisas da poesia não são muito de ter nome. Elas são.

A poesia nos lembra que palavras podem costurar vidas, alimentar os sonhos, tecer um amor estrelado...

A poesia nos faz lembrar quem somos : Anjos, Demônios e Humanos.

Rosa Antuña

domingo, 18 de abril de 2010

Há lugar para as borboletas?

Há ainda lugar para as borboletas? Num ecossistema equilibrado sim. Há lugar para todas as espécies. E há predadores e presas. E tudo flui harmoniosamente. Há espaço para os beija-flores e para os leões; para os tigres e para as libélulas.
Mas no nosso mundo não. Ultimamente só há espaço para os leões, tigres, búfalos, além de bandos de ratos e cobras que rastejam sorrateiramente. Não há espaço para os esquilos, canários, vagalumes... estes são massacrados. E para sobreviver são obrigados a fantasiarem-se de animais grandes, fortes fisicamente e violentos ou venenosos.
Onde está o espaço para a delicadeza? Onde está a gentileza e a educação? Onde está a calma e a paciência? Onde está a tolerância e a compreensão? A aceitação das diferenças?
O mundo é feito para os que brigam, para os mais rápidos, mais espertos... para ser alguém no mundo você tem que ser um vencedor. Não basta você ser você mesmo. Seja um vencedor. Seja o melhor. E se você for mau, cruel, tirano, comandará multidões que já estão condicionadas a cumprir ordens toscas.
Nosso planeta é tão bonito... com flores delicadas e árvores gigantescas, centenárias... há lugar na natureza para todas as diferenças. Apenas na humanidade isso não acontece.

Raça Humana

Racinha escrota essa tal de raça humana... tão escrota, que diz subdividir-se em outras raças e cada uma se considera melhor do que a outra! Tudo farinha do mesmo saco... tudo merda. Um bando de merdinhas acreditando ser algo superior. Só rindo mesmo.
Todo o caos que vemos em volta é apenas reflexo do que está dentro. Todos os vírus, doenças, tudo está dentro de nós em primeira instância. São vírus psíquicos de nossa mente obsoleta, são doenças do comportamento, são distúrbios do humor, são neuroses, psicoses... pobre raça estragada... somos como aqueles produtos que passaram da validade e foram jogados no lixo. E pensamos ser alguma coisa! E ainda subjugamos uns aos outros! E ainda somos prepotentes! Uau! Incrível! É de se orgulhar mesmo!
Mas existem exceções. Claro que existem. Tentam nos ensinar alguma coisa, com paciência, amor, sem nos julgar, às vezes sendo firmes como quando se educa uma criança mimada. Benditas exceções que se compadecem de nossa estupidez.
As raças se subjugam. Os continentes se subjugam. Os países se subjugam... os times de futebol... as torcidas... as igrejas... as religiões... as famílias... dentro das famílias... as profissões... todo o tempo em todas as circunstâncias estamos um subjugando o outro. Os amigos se subjugam.
É tão reconfortante quando um amigo tem um problema e podemos usar isso para nos sentirmos melhores do que ele, não é?
Por outro lado, quando um amigo começa a crescer, ganhar o mundo, projetar-se, ser feliz, logo os outros amigos frustrados com alguma coisa começam a puxá-lo pra baixo, com todas as forças, numa tentativa desesperada de deixarem tudo como está e assim, não olharem para os seus fracassos. Triste. Mas somos nós, a raça humana. Difícil. Mas somos nós, a raça humana.
Será que é tão difícil assim cuidar da própria vida? Será que é tão difícil assim não julgar o outro? Será que é tão difícil assim assumir a inveja, mágoa, raiva... e tentar mudar a si mesmo? Será que é tão difícil querer o bem da humanidade, da sua nação, da sua família, dos seus amigos? Será que é tão difícil progredir? Crescer juntos? Torcer pra que o outro seja feliz? Buscar a própria felicidade?
Porra!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pra se olhar no espelho

Um câncer. Quando é detectado um câncer, faz-se uma série de exames para saber em que estágio está. Pode haver cirurgia e provavelmente a quimioterapia. O cabelo cai, surgem olheiras enormes, passa-se muito mal... é doloroso e também sofrido. Após longo período de tratamento, grande maioria dos casos tem recuperação total. A cura acontece e o paciente torna-se uma pessoa mais forte do que era antes. Torna-se um grande guerreiro vencedor de uma grande guerra. E este guerreiro está vivo e quer , mais do que nunca, viver. Será que antes de começar a quimioterapia a pessoa (que ainda não sabia ser este guerreiro) teve medo? Será que este paciente quis fazer o tratamento? Será que ele quis desistir, quis morrer, quis fingir que isso não estava acontecendo? Será que ele tentou fugir, sabendo que esse seria um processo de cura muito doloroso? Provavelmente.
Talvez iniciar um processo terapêutico seja como o início de uma quimioterapia, num outro nível. A coragem de procurar a ajuda de um psicólogo, enfrentar o medo de se ver, a vontade de fugir e deixar como está... e o processo... doloroso, sofrido, amedrontador... não há perspectiva de cura. Entretanto, após iniciado não há mais como fugir. Não dá pra fingir que não viu. Não dá pra fingir que não sabe. A responsabilidade aumenta. E também o prazer. Um prazerzinho lá no fundo vai aumentando. Vai crescendo. Um prazer de ter coragem para curar todo esse câncer psíquico e emocional que pode destruir muitas vidas: a sua e a de quem você mais ama.
Insights acontecem... compreensão de coisas tão antigas... alívio... vergonha... culpa... mágoa... ódio... tudo vem e vai. Até que um belo dia você acorda e se olha no espelho. E pela primeira vez vê as suas rugas. Vê cabelos brancos. Vê que tem um buraco no seu dente. Sente então uma alegria imensa por estar se vendo, se aceitando e se amando pela primeira vez.

sábado, 20 de março de 2010

Ressonância Schumann

Antes, eu, pretensiosa, pensava que tinha, ou tínhamos ( um certo número de pessoas) uma missão de ajudar toda a humanidade. De certa forma temos, mas não como eu compreendia...
Ingenuamente, como eu poderia ser capaz de avisar o mundo sobre os acontecimentos vindouros, que mal eu sabia quais seriam? Como poderia ensinar a humanidade sobre como se preparar para as transformações futuras? E quem sou eu? Detentora da verdade absoluta? Rainha do conhecimento? A senhora do destino? A maga do tempo?
Nada disso. Sou apenas mais um ser humano na terra. Como todos. Feita de carne, ossos, sangue e sonhos.
Tenho em mim o mesmo DNA do início dos tempos, que também está em cada pessoa deste planeta. Tenho a mesma vulnerabilidade de cada gente que está viva por debaixo da pele. Tenho a mesma água que o mar... Estou sujeita às influências do magnetismo dos corpos celestes, do geomagnetismo da Terra e à aceleração da Ressonância Schumann, como se eu mesma fosse uma onda!
Tenho em mim o potencial genial de Einstein e toda a crueldade de Hitler.
Sou vulnerável ao amor e à maldade, à gargalhada e ao pranto, à doçura e à ira. Sou vulnerável a cada pessoa existente em nosso planeta azul. Estou sujeita à pensar o mesmo pensamento de toda a multidão que não pensa sozinha... e pior... estou sujeita a pensar algo que não é meu, achar que é e ainda, que é verdade e está certo.
Pobre de mim que penso tanto e não penso nada. Pobre de nós que nem sabemos o que fazem conosco...
E foi num curto instante de consciência, despertada em estado meditativo, indo além de nossas ondas beta, em estado alfa, ou mais além, que vislumbrei algo claro. Algo de dentro pra fora : salvar a humanidade, significa salvar a si mesmo, pois todos somos um.

Rosa Antuña

domingo, 14 de março de 2010

Denise Stoklos : fúria e arte

Ontem vi Denise Stoklos em sua peça LOUISE BOURGEOIS : FAÇO, DESFAÇO E REFAÇO. E como sempre ocorre comigo quando a vejo atuar, fiquei estarrecida.
Ver uma mestra em cena é sempre um momento único. E sei que tenho o prazer de vê-la em cena. Viva. Fervente. Borbulhante. Um furacão de palavras e gestos. Uma tempestade de emoções e atitudes. E quando ela nos leva cruelmente à beira da loucura, pára. E nos permite respirar, com a benevolência de uma grande atriz e diretora que nos conduz pacientemente pela mão e nos apresenta um novo mundo.
Quando a vejo atuar meu corpo se enche de febre inquietante. Sinto esperança e medo. Sinto coragem, loucura e respeito. Profundo respeito por este ser que está aqui trabalhando por nós e para nós, com uma entrega de Alma, corpo, carne...
Existe fúria em seus atos. Fúria e amor profundo. Amor concreto. Amor real. Somente por amor algo assim pode se materializar aqui. E isso se sente por todos os poros...
Sinto-me hoje uma humilde aprendiz da arte cênica. Uma humilde aprendiz da arte de criar para o palco, para si mesmo, para o público.
E ainda nessa peça, Denise incorpora outro ser imenso : Louise Bourgeois. Duas grandes mulheres selvagens em uma só.
Ontem fui engolida por elas.

Rosa Antuña