E 2014 começou com tudo! Dia 3 de janeiro eu já estava em Vitória criando um trabalho: Bossa, Poesia e Paixão. Foram 3 dias intensos e gratificantes. Para a trilha, fiz uma compilação com João Donato, Vinícius de Morais, Tom Jobim... delícia!!!
Textos, poemas, reflexões e também fotos de espetáculos e bastidores de viagens, criações e apresentações
Próximas apresentações e workshops:
Rio de Janeiro:
- agosto: O Vestido - aguardem
E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!
terça-feira, 11 de março de 2014
Bossa, Poesia e Paixão - Cia Mitzi Marzzutti
Sobre PRAZER, da Cia LUNA LUNERA
E que coisa mais linda testemunhar um trabalho como este (Prazer). Uma entrega tão pura de quatro artistas que nos emprestam seus corpos, para que possamos vesti-los experimentando a nós mesmos de forma camuflada, que não dói tanto... que não nos revela tanto... não nos expõem tanto... pois fazemos de conta que aqueles quatro que estão em cena são apenas eles e não nós.
Mas intimamente sei que vi meus fragmentos de vida ali. E agradeço a cada um desses quatro atores por isso... por me salvarem mais um pouco... por me ouvirem mais um pouco... pois me senti diluída neles.
E sei que daqui para frente eles também estão diluídos em mim.
Rosa Antuña - 12/12/13
Mas intimamente sei que vi meus fragmentos de vida ali. E agradeço a cada um desses quatro atores por isso... por me salvarem mais um pouco... por me ouvirem mais um pouco... pois me senti diluída neles.
E sei que daqui para frente eles também estão diluídos em mim.
Rosa Antuña - 12/12/13
PRAZER
E afinal o que buscamos na vida?
E o que é realmente importante para cada um?
Por que nos aprisionamos em medos e manias?
Por que dizemos não para a vida?
Por que não arriscamos?
Talvez no fundo, estejamos todos gritando por socorro...
E emitimos a todo instante sinais de pedido de ajuda...
Mas é tão difícil socorrer o outro... é tão difícil socorrer a si mesmo...
E então emitimos sinais codificados, mensagens secretas, senhas, na esperança contida de que alguém nos adivinhe... de que alguém nos descubra... de que alguém nos revele para nós mesmos e diga: tudo bem, eu entendo você. Tudo bem. Eu aceito você.
E nesse caminhar da vida, tomando a minha própria como objeto de reflexão... me pergunto: o que realmente importa? O que realmente significa algo? Sigo realmente o caminho por escolha, ou por falta dela? Por acaso tive escolha? Ou o caminho que escolhi foi para que eu não sucumbisse?
Estaria eu disposta a reavaliar tudo? A rever tudo o que fiz até agora? E se eu descobrisse que não fui eu que vivi?
Talvez assim tenha a chance de descobrir algum eu que seja eu e grite para mim, de verdade, o que realmente me traz prazer.
Rosa Antuña - (12/12/13) após assistir o espetáculo PRAZER com a Cia Luna Lunera de Teatro, de Belo Horizonte, MG
E o que é realmente importante para cada um?
Por que nos aprisionamos em medos e manias?
Por que dizemos não para a vida?
Por que não arriscamos?
Talvez no fundo, estejamos todos gritando por socorro...
E emitimos a todo instante sinais de pedido de ajuda...
Mas é tão difícil socorrer o outro... é tão difícil socorrer a si mesmo...
E então emitimos sinais codificados, mensagens secretas, senhas, na esperança contida de que alguém nos adivinhe... de que alguém nos descubra... de que alguém nos revele para nós mesmos e diga: tudo bem, eu entendo você. Tudo bem. Eu aceito você.
E nesse caminhar da vida, tomando a minha própria como objeto de reflexão... me pergunto: o que realmente importa? O que realmente significa algo? Sigo realmente o caminho por escolha, ou por falta dela? Por acaso tive escolha? Ou o caminho que escolhi foi para que eu não sucumbisse?
Estaria eu disposta a reavaliar tudo? A rever tudo o que fiz até agora? E se eu descobrisse que não fui eu que vivi?
Talvez assim tenha a chance de descobrir algum eu que seja eu e grite para mim, de verdade, o que realmente me traz prazer.
Rosa Antuña - (12/12/13) após assistir o espetáculo PRAZER com a Cia Luna Lunera de Teatro, de Belo Horizonte, MG
Texto Território Nu
Na mesma tarde que te levanto eu te amanheço
E no encanto que te revelo eu me desperto
na madrugada que te ameaço eu me arrependo
E no castigo que te imponho eu reconheço
E no silêncio que te tortura eu te dissolvo
E no momento que te sufoca eu te liberto
No castigo que te ameaça eu me massacro
E no massacre que te retorna eu me alivio
E no alívio que te espanta eu me mato
E na morte que te alimenta eu me perdoo
na manhã que te desperta eu te anoiteço
E na noite que te sorri eu permaneço.
Rosa Antuña - para o espetáculo Território Nu - Cia Mário Nascimento
E no encanto que te revelo eu me desperto
na madrugada que te ameaço eu me arrependo
E no castigo que te imponho eu reconheço
E no silêncio que te tortura eu te dissolvo
E no momento que te sufoca eu te liberto
No castigo que te ameaça eu me massacro
E no massacre que te retorna eu me alivio
E no alívio que te espanta eu me mato
E na morte que te alimenta eu me perdoo
na manhã que te desperta eu te anoiteço
E na noite que te sorri eu permaneço.
Rosa Antuña - para o espetáculo Território Nu - Cia Mário Nascimento
Modos de Existir
" Na dança as coisas existem nos corpos da gente.
Porque são muitos os modos de existir, de pensar, de dançar..."
Rosa Antuña. - nov 2013
Porque são muitos os modos de existir, de pensar, de dançar..."
Rosa Antuña. - nov 2013
Colapso do Comum
Pessoas que transbordam nas outras
Colapso do comum
Deixar de ser apenas incomum
É inoperante
Talvez inconfessável
A inoperância marca o colapso do comum
Esse transbordamento que se torna inoperante
Um qualquer longe de ser qualquer
Manifestado num verbete
A comunidade que vem e se promove
No anonimato.
Anonimato que me invade
Anonimato que me desespera
Lutando por sua própria vida quem pode sobreviver sozinho?
É inoperante, talvez inconfessável...
Pessoas manifestadas num verbete...
Transbordam no anonimato.
Anonimato que me protege
Anonimato que me fortalece
Anonimato que me revela.
Rosa Antuña
* este texto foi escrito inspirado nas discussões do "Modos de Existir", feito no SESCem SP 2013
Colapso do comum
Deixar de ser apenas incomum
É inoperante
Talvez inconfessável
A inoperância marca o colapso do comum
Esse transbordamento que se torna inoperante
Um qualquer longe de ser qualquer
Manifestado num verbete
A comunidade que vem e se promove
No anonimato.
Anonimato que me invade
Anonimato que me desespera
Lutando por sua própria vida quem pode sobreviver sozinho?
É inoperante, talvez inconfessável...
Pessoas manifestadas num verbete...
Transbordam no anonimato.
Anonimato que me protege
Anonimato que me fortalece
Anonimato que me revela.
Rosa Antuña
* este texto foi escrito inspirado nas discussões do "Modos de Existir", feito no SESCem SP 2013
sábado, 12 de outubro de 2013
CRÍTICA - Helena Katz - O Estado de São Paulo - 7 out 2013
Pedras do castelo de Mário Nascimento
A cia do coreógrafo, bailarino e diretor evidencia em 'Nômade' a força que pode ter no palco uma pesquisa bem sucedida
07 de outubro de 2013 | 2h 13
Helena Katz - Especial para O Estado de S.Paulo
Nômade, a mais recente produção da Cia Mário Nascimento, recém-estreada em São Paulo no Teatro Sérgio Cardoso, tem como mérito apresentar as pedras e o castelo que elas constroem. Quem não tiver a clareza necessária sobre o que é, de fato, uma pesquisa continuada em dança, encontra aqui a solidez do que a tece: a insistência de uma relação de necessidade juntando os passos/pedras ao que deles resulta, uma coreografia/castelo, que se guia pela transformação permanente e se inaugura em cada nova etapa da sua construção.
Duda Las Casas/ Divulgação
'Nômade' é a mais recente produção da Cia Mário Nascimento
Esse processo contínuo e ininterrupto tem agora 15 anos. Uma história que retrocede e avança em uma trajetória parabólica. O coreógrafo, bailarino e diretor Mário Nascimento inventou um movimento que vai até a distância da sua força. Um movimento que se dilata na fundura de um espaço que se abre e abre e abre, ao mesmo tempo sendo e provocando uma ventania que não cessa de reorganizar uma paisagem. Nela, algumas referências já são identificadas na assinatura de uma forma que vem desenhando um corpo específico. O corpo de um artista que dança, toca instrumentos, fala e canta.
Nessa construção em fluxo, foi necessário encontrar parceiros sem os quais ela não se viabilizaria. No atual elenco todos estão, felizmente, encharcados destes movimentos, cada um na sua medida, fazendo-os brotar e transbordar do seu jeito. São oito bailarinos formando uma constelação cujo brilho vem dos rebatimentos do que um faz no que outro faz. Alicia-Lynn Castro, Eliatrice Gischewski, Fábio Costa, Gustavo Silvestre, Leo Garcia, Marcella Gozzi, Mário Nascimento e Rosa Antuña têm a sabedoria de se especializar em repetir uma mudança. Não se dedicam a limpar os gestos porque esse procedimento não cabe na sua proposta. Vão dançando com a urgência daquilo que não cessa. Nos momentos em que caminham, estão apenas ligando o que acabam de fazer com o que vai ser continuado.
Rosa Antuña, há 10 anos trabalhando com Mário Nascimento, exemplifica o sentido mais pleno de uma espécie de beleza que vem somente da permanência. Ela realiza a poesia de um dançar que vai ventando pela cena. Seu trabalho de voz agora voa, e no seu corpo tudo vai acontecendo como nos desenhos animados antigos: começa do centro para as bordas, ganhando nitidez.
A consistência do que foi gestado até aqui pede a sua continuidade. Sem ela, não é possível garantir que algo tão precioso como o trabalho que Mário Nascimento vem realizando continue a se desenvolver. Enquanto o contexto de intermitência promovido pelos editais não desaparecer, vai ficando cada vez mais claro que o sistema de financiamento à cultura que hoje existe ameaça justamente a pesquisa continuada. Felizmente, quem não assistiu sua curtíssima temporada de estreia poderá encontrá-los no dia 5 de novembro, no Sesc Santo Amaro.
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