Saímos às 8:30hs de van para Natal. Tínhamos uma apresentação no mesmo dia às 20:00hs! Bem corrido. Chegamos em Natal 12:00hs.
Lá é simplesmente maravilhoso! Um mar azul demais! Antes de ir para o Centro de Convenções consegui dar um mergulho ali em Ponta Negra, pois a nossa Pousada (do SESC) era bem pertinho da praia (Graças a Deus!). Me senti bem melhor, pois o mar me recupera muito!
Dançamos para 900 pessoas. Público muito agitado. Principalmente as mulheres que gritavam sempre que os bailarinos da Cia apareciam. Em contraponto havia inúmeras pessoas interessadas, que pediam silêncio. Mas mesmo assim, o espetáculo foi muito bom! Bem liso! E senti uma concentração e uma força... Senti uma presença comigo que me ajudou muito. Senti que dessa temporada, este foi o dia em que melhor dancei.
Bate-papo em seguida com a platéia. É claro que aqueles que foram desrespeitosos não ficaram. O Grupo Gira Dança esteve presente, além de outros artistas da cidade. Conversamos sobre esta questão do mau comportamento nos teatros. Como fazer para formar platéia... afinal, o teatro estava lotado com 900 pessoas!!! Os produtores Daniel e Nilton arrasaram! E é claro que quem perturbou foi uma minoria, mas até que ponto eles têm esse direito? Como fazer? É uma questão muito delicada... Também conversamos sobre o processo de montagem, o uso da música, texto, dança... foi muito bom!
No dia seguinte consegui ir à praia de novo e à noite a apresentação foi no COMPLEXO CULTURAL DA ZONA NORTE, que no passado, foi um presídio e agora é um lugar para a cultura! Estava lotado : 400 pessoas.
Enquanto estávamos na nossa concentração, a platéia estava muito agitada. Pronto. Eu já me preparei para o pior! Mas para a nossa surpresa, assim que começou, todos ficaram em absoluto silêncio. E foi um silêncio recheado de atenção, de energia, de respeito e de entrega. Foi maravilhoso dançar para aquele público!
O espetáculo foi muito bom. Como é bom dançar para platéias assim! Como nos ajuda! E muitos ali não tinham o hábito de ir ao teatro, muito menos de ver dança contemporânea! Foi incrível!
Isso desmonta nossas teorias quando justificamos o mau comportamento de algumas pessoas dizendo que elas nunca foram ao teatro... Isso vai da sensibilidade de cada um. É muito relativo. Impossível de generalizar... cada platéia é e será sempre uma grande surpresa...
Textos, poemas, reflexões e também fotos de espetáculos e bastidores de viagens, criações e apresentações
Próximas apresentações e workshops:
Rio de Janeiro:
- agosto: O Vestido - aguardem
E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!
domingo, 15 de abril de 2012
CAICÓ
Após dançarmos em Mossoró fomos de van para Caicó. Como fazia calor!!! Agora sei o que é sentir calor!!! Dançamos na Concha Acústica do SESC do Seridó. Lá é lindo! A apresentação foi às 19:30hs. Já estava mais fresco sem o sol.
Tivemos um grande público infantil e muitas crianças estavam desacompanhadas dos pais! Houve muito ruído durante nossa performance. Foi muito difícil manter a concentração. Havia muitas pessoas interessadas e crianças que estavam prestando atenção, mas realmente as que não ficaram quietas atrapalharam as pessoas que queriam assistir. Bate-papo após a apresentação.
Apesar da agitação, já foi uma conquista conseguir levar ali um número tão grande de crianças. O ponto é conseguir levar aqueles pais também! Mas fora isso, houve um público interessado. Aqueles que ficaram para o bate-papo foram muito sensíveis em suas colocações. E houve crianças que ficaram também e fizeram perguntas para nós, o que foi muito positivo!
Depois alguns da equipe foram jantar, eu preferi ir para o Hotel, Helinho (nosso iluminador) e Aretha também preferiram, pois sairíamos cedo no outro dia.
À noite fez um calor! Resolvi ligar o ar condicionado (não gosto muito, mas não tinha outro jeito), só que ele fazia tanto barulho! Resultado : mal consegui dormir naquela noite.
E deixo aqui a letra da música que meu pai me lembrou ao telefone :
Tivemos um grande público infantil e muitas crianças estavam desacompanhadas dos pais! Houve muito ruído durante nossa performance. Foi muito difícil manter a concentração. Havia muitas pessoas interessadas e crianças que estavam prestando atenção, mas realmente as que não ficaram quietas atrapalharam as pessoas que queriam assistir. Bate-papo após a apresentação.
Apesar da agitação, já foi uma conquista conseguir levar ali um número tão grande de crianças. O ponto é conseguir levar aqueles pais também! Mas fora isso, houve um público interessado. Aqueles que ficaram para o bate-papo foram muito sensíveis em suas colocações. E houve crianças que ficaram também e fizeram perguntas para nós, o que foi muito positivo!
Depois alguns da equipe foram jantar, eu preferi ir para o Hotel, Helinho (nosso iluminador) e Aretha também preferiram, pois sairíamos cedo no outro dia.
À noite fez um calor! Resolvi ligar o ar condicionado (não gosto muito, mas não tinha outro jeito), só que ele fazia tanto barulho! Resultado : mal consegui dormir naquela noite.
E deixo aqui a letra da música que meu pai me lembrou ao telefone :
Ô Mana deixa eu ir
Ó Mana eu vou só
Ô Mana deixa eu ir
Para o sertão de Caicó
Eu vou cantando
Com uma aliança no dedo
Eu aqui só tenho medo
Do Mestre Zé Mariano
Mariazinha
Botou flores na janela
Pensando em vestido branco
Véu e flores na capela
Ô Mana deixa eu ir...
Saudades de Casa...
Estou agora em Caruaru. Chegamos ontem.
Na verdade hoje estou com saudades de casa. À noite até senti meu cachorro junto de mim, dormindo. Mas é assim mesmo. Desde os 14 anos viajo pra dançar. Em Joinville eram duas semanas... e fui oite vezes para lá. Todos os Cuballets que fiz duravam um mês e o primeiro que fui, em Niterói, eu tinha apenas 14 anos. Aliás, aquele foi o primeiro Cuballet no Brasil! Tivemos até a ilustre presença de Alicia Alonso! E ainda participei do Cuballet em Goiânia e em São Paulo, quando fiz Nikya em La Bayadére. Fora Bento Gonçalves, o Seminário de Brasília... Os três meses que vivi em Cuba em 96, aos dezoito anos... e em seguida os quase dois anos que passei na Alemanha, estudando na Palucca Schulle Dresden, de 96 a 98... Não fiquei direto, voltei de férias para o Brasil duas vezes. Depois morei em São Paulo um ano e meio... ou seja, já era para eu estar acostumada a ficar por aí, pelo mundo! Mas acho que não me acostumei... Também não estou morrendo de sofrimento por estar longe de casa... é só uma tristezinha cinza que fica no coração... só isso. E sei que passa.
Tenho muitos amigos queridos espalhados pelo mundo. Sei que eles sabem bem do que estou falando... O que mais ajuda a ficar bem quando a gente está longe é se você tem seu namorado ou namorada junto. Isso dá uma sensação de família! Acho que é por isso que os bailarinos acabam se casando entre si, pois se sentem em família nas viagens. Um dá força para o outro. É bem melhor mesmo!
Saímos de Belo Horizonte dia 28 de março. Já se passaram 19 dias! E dessa primeira etapa faltam ainda 37 dias de viagem. Voltaremos a BH dia 26 de junho. Ai...
Na verdade hoje estou com saudades de casa. À noite até senti meu cachorro junto de mim, dormindo. Mas é assim mesmo. Desde os 14 anos viajo pra dançar. Em Joinville eram duas semanas... e fui oite vezes para lá. Todos os Cuballets que fiz duravam um mês e o primeiro que fui, em Niterói, eu tinha apenas 14 anos. Aliás, aquele foi o primeiro Cuballet no Brasil! Tivemos até a ilustre presença de Alicia Alonso! E ainda participei do Cuballet em Goiânia e em São Paulo, quando fiz Nikya em La Bayadére. Fora Bento Gonçalves, o Seminário de Brasília... Os três meses que vivi em Cuba em 96, aos dezoito anos... e em seguida os quase dois anos que passei na Alemanha, estudando na Palucca Schulle Dresden, de 96 a 98... Não fiquei direto, voltei de férias para o Brasil duas vezes. Depois morei em São Paulo um ano e meio... ou seja, já era para eu estar acostumada a ficar por aí, pelo mundo! Mas acho que não me acostumei... Também não estou morrendo de sofrimento por estar longe de casa... é só uma tristezinha cinza que fica no coração... só isso. E sei que passa.
Tenho muitos amigos queridos espalhados pelo mundo. Sei que eles sabem bem do que estou falando... O que mais ajuda a ficar bem quando a gente está longe é se você tem seu namorado ou namorada junto. Isso dá uma sensação de família! Acho que é por isso que os bailarinos acabam se casando entre si, pois se sentem em família nas viagens. Um dá força para o outro. É bem melhor mesmo!
Saímos de Belo Horizonte dia 28 de março. Já se passaram 19 dias! E dessa primeira etapa faltam ainda 37 dias de viagem. Voltaremos a BH dia 26 de junho. Ai...
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Flor de Caicó
Acabamos de chegar em Caicó.
Sertão. Árido. Quente.
A vegetação de caatinga. Esparsa. Cheia de espinhos. Mas vi uma flor vermelha, bem pequena em um cactos, na beira da estrada. E essa flor me disse tanta coisa... me disse que é possível sim, viver em meio aos espinhos e permanecer delicada. E disse que apesar de delicada, ela era muito forte. Essa florzinha ainda me disse que por mais árido que tudo fosse, ela jamais perderia seu perfume... e que por mais cor de poeira que tudo fosse, ela jamais perderia seu tom vermelho-vida. A flor me disse que aprendeu o que era viver com o essencial. Aprendeu a desfrutar da breve brisa, quando ela passa. A flor me falou da esperança e da fé que ela nunca perde. E que ela vive com muito pouco. Mas ela está ali. Viva. Única. Ocupando seu lugar no mundo. Singela e de personalidade forte. Assim é essa pequena flor do sertão. Que sorri gentil e sedutora para aqueles que olham para ela.
E eu olhei.
Memorial da Resistência - Mossoró
Maria Bonita
terça-feira, 10 de abril de 2012
O espetáculo em Mossoró
Bem, ontem foi maravilhoso! Uma segunda-feira, 20:00hs, e o Teatro Municipal estava simplesmente muito cheio! A platéia foi muito receptiva. Fiquei muito surpresa! Muitas vezes, segunda é um dia mais difícil... mas a produção aqui, que o Lázaro fez, foi muito boa!
O Teatro é excelente! Super moderno e bem cuidado. Foi muito bom dançar lá!
A equipe técnica também estava muito ligada, o que foi ótimo.
Após o espetáculo, como é de costume no Palco Giratório, tivemos um bate-papo com a platéia. Foi ótimo. Percebi a angústia de alguns artistas em se encontrar, em construir uma identidade própria, em refletir sobre o que é fazer dança contemporânea... foi muito bom poder conversar com eles. Achei muito produtivo.
Olha, realmente, esta cidade é muito boa e muito próspera! Tem petróleo, gás natural, sal e águas termais! É...
E as pessoas são muito gentis. Elas têm aquele olhinho bom que cativa a gente...
A equipe do SESC do Rio Grande do Norte: Daniel, Nilton e Lázaro. Muito queridos!
Ah! Aconteceu uma surpresa! Antes de entrarmos em cena o Léo recebeu um telefonema da família dizendo que a irmã dele havia entrado em trabalho de parto. E quando acabou o espetáculo, Samuel já tinha nascido! Essa foto foi logo quando ele recebeu a notícia! Parabéns titio!!! rs...
segunda-feira, 9 de abril de 2012
PALCO GIRATÓRIO - MOSSORÓ
Hoje, dia 9 de abril, estamos em Mossoró. Saímos ontem de João Pessoa às 10:30hs e chegamos aqui lá para as 18:00hs. A viagem foi ótima. Os meninos dormem o tempo todo. Não sei como eles conseguem! rs... queria conseguir dormir assim!
Wilson, o dono de restaurante. Adilson (de São José do Rio Preto), fazendo o churrasco.
Dali para frente, a estrada ficou muito perigosa. Era domingo de Páscoa, muita gente voltando do feriado. Nosso motorista foi ótimo e tranquilo numa estrada tensa. Vi cada imprudência absurda nas ultrapassagens. Nenhum respeito à vida.
Durante o caminho a vegetação foi mudando aos poucos. Ficando mais rasteira... mais seca... mais espalhada... as montanhas foram embora e o que se via era um imenso descampado. Em um momento surgiu um morro, noutro, duas rochas grandes e isso foi tudo.
Vi cidadezinhas simples, casinhas pequeninas e coloridas. Vi um acampamento de miséria ao lado de um lixão, na beira da estrada... Vi algumas vacas e um menino cuidando delas. Vi um boteco com homens bebendo em volta de uma mesa... eles pareciam piratas bêbados após saquear uma vila. Vi uma mulher parada na porta da própria casa (acho que a casa era dela e era uma casa bem simples) olhando para fora, com um ar de quem não tem escolha. Um ar de quem não tem mais para onde ir. Um ar de que a vida era aquilo e pronto. Talvez o marido dela fosse um daqueles " homens-piratas-bêbados"... Vi a "Casa de Show Pisa na Fulô". Fiquei imaginando que tipo de show haveria ali... Deve ser shows para piratas-bêbados-que-saquearam-a-vila. E os shows devem ser feitos por aquelas mulheres-paradas-na-porta-sem-escolha-sem-ter-para-onde-ir.
E enquanto divago sobre isso, um carro amarelo se joga na frente do nosso ônibus, um bando de passarinhos faz uma coreografia linda no céu, um velhinho num banquinho acende um cigarro e Sílvio Santos deve estar na televisão perguntando "quem quer dinheiro?".
Chegamos em Mossoró. Cidade que venceu Lampião e seu bando. E aqui foi enterrado vivo o cangaceiro da maior confiança dele, o Jararaca. O cangaço reinou por muito tempo. E pensar que em 1922, no Brasil havia, de um lado, a semana de Arte Moderna, e do outro, o cangaço com suas próprias leis. Isso me impressiona muito.
Mossoró tem 300.000 habitantes. No caminho para cá também vi muitas salinas. E aqui tem águas termais. Faz calor demais. E a cidade me surpreendeu. Muito boa. Bem estruturada. Até me lembrou algumas cidades do interior de São Paulo, Araraquara, para ser mais exata! Ah! É completamente plana!
Almoçamo no shopping. E às 16:30hs iremos para o Teatro Municipal. Já fiquei sabendo que ele é ótimo e moderno. Depois eu conto.
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