Próximas apresentações e workshops:

Rio de Janeiro:
- agosto: O Vestido - aguardem

E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!

sábado, 29 de novembro de 2014

2 - Copenhagen

Chegamos em Copenhagen.
Saímos do avião e caímos sem saber como, num free shopping gigantesco!!! Rodamos por ali, como duas baratas tontas. Lembramos que tínhamos que pegar nossas bagagens. Com dificuldade encontramos o lugar, mas nossas malas não estavam lá… fomos pedir informação e lá estavam elas, nossas malinhas. nos esperando como crianças que se perderam das mães… demoramos demais olhando o free shopping… ainda bem que não temos filhos.

Saímos do aeroporto e bem em frente estava o ponto do ônibus que nos levaria ao hotel. Eram 16:00hs e já era noite. Gelado. Um vento que doía nossos ossos. Estávamos bem agasalhadas, mas parecia que não.

Chegamos no Bella Sky Conwell Hotel. Escolhemos pela internet. Parece uma base intergaláctica na Terra! Modernérrimo! Adoramos! Muito bem atendido, tudo tecnológico, colorido, prático. O quarto é lindo. Um design incrível!

Tomei banho, tomei meus suplementos alimentares e às 18:00hs dormi. Nem vi a Duda. acordei no outro dia, com o despertador, às 8:30hs da manhã!

Tomamos café às 10:00hs. Um lugar enorme e lotado, mas super organizado! Um café da manhã como nunca vi igual! Tinha para todos os gostos!!! Eu consegui comer o que costumo comer na minha rotina.  Fiquei extremamente feliz. Tudo prático!

Subimos e começamos a gravar algumas cenas para o filme no banheiro.
Sim. Ainda tem um filme nessa história.

Depois fomos conhecer o Tivoli Park! Incrível! E todo enfeitado de Natal, parecia um sonho! E as crianças dinamarquesas parecem de brinquedo! Louras, com bochechas vermelhas! Aliás, adorei o povo dinamarquês! Animado, gentil, bem-humorado… pena que não tínhamos tempo para ficar mais em Copenhagen, pois vale à pena!

À noite gravamos mais algumas imagens pro filme no Hotel. Dia seguinte pegaríamos o trem pra Holstebro, Dinamarca, onde fica o Odin Teatret.

1 - Início da viagem, início de um processo...

Nova etapa se inicia.
Há um ano estou na pesquisa para meu próximo solo "A Mulher que Cuspiu a Maçã". Ele encerrará a "Trilogia do Feminino" que começou com "Mulher Selvagem" e em seguida com "O Vestido".
Nos últimos meses intensifiquei a pesquisa do solo, que começou com a leitura do livro "A Cama na Varanda", de Regina Navarro Lins. Mais textos, pesquisa de movimento, início de algumas cenas, estudos vocais, ideias para figurinos… e claro, dúvidas, conflitos existenciais, ansiedade e medo.

Entro agora em uma nova etapa deste processo criativo.

Dia 27 de novembro meus pais me acompanharam, mais uma vez, até o aeroporto de Confins. Recebo deles um apoio incondicional que sempre me conforta e graças também a esse apoio pude não desistir da carreira que escolhi.
Partimos, Duda e eu, do Galeão, Rio de Janeiro, para Copenhagen, via Paris.
O voo foi em permanente turbulência suave… mas o suficiente para não dormirmos muito bem. Senti também que estava bastante apertada a classe econômica… a distância entre as poltronas está cada vez menor. Ao menos o jantar foi bom (ou talvez minha fome estivesse enorme). Assisti Malévola pela segunda vez. rs…

Descemos em Copenhagen (sempre é uma profunda sensação de alívio esse momento em que o avião toca terra firme). Chegamos às 8:00hs, nosso voo para Copenhagen seria às 13:00hs apenas.

Algumas voltas pelo Charles de Gaulle… um lanche e fomos pro portão de embarque tentar dormir um pouco. 

Um certo mau humor pairava sobre nós. Nada que uma boa noite de sono não resolvesse!



quarta-feira, 28 de maio de 2014

13 - Conversa com Eugênio Barba

Frases que captei de algumas conversas que tivemos com Eugênio Barba:

" Aprendi minha profissão de diretor no corpo dos meus atores. "

" No Grotowsky os homens eram mais importantes, aqui não, aqui a força vem das mulheres e fui obrigado a me adaptar. "

" Nenhum ser humano gosta de ser escravo. Você aceita a disciplina se você sente que a pessoa (o diretor) não está te explorando. "

" Somos movidos por forças ocultas que podem ser destrutivas ou construtivas. É uma escolha. "

" Estou mais interessado na força do caráter, do que no talento do artista. "

" Quando você for fazer os seus espetáculos, você deve buscar os seus próprios espectadores. "

" Para manter um ator com você precisa ter AMOR, FORÇA e DINHEIRO. "

" Você precisa considerar a dimensão da morte para saber da vida. A morte traz consciência do que você está fazendo na sua vida. "

12 - Conversa com Roberta Carreri

No dia em que tivemos uma conversa com Roberta Carreri anotei algumas coisas que ela disse:

" Eu ensino meus segredos às pessoas porque quero ver bons atores."

" Sempre aprendo uma técnica nova para cada nova criação. "

" Você não decide com a cabeça, mas sim com seu estômago! Eu quis deixar o Odin e voltar para a Itália, com a minha cabeça... mas... acabei ficando aqui... com essas pessoas eu posso brigar, mas também posso acreditar. Elas fazem o que falam. "

" Você precisa ser flexível, não rígido, e aprender a entender o outro, mesmo que você não concorde. No Odin você não afirma o seu ponto de vista, sim o seu ponto de atuação."

" Criatividade é resultado do trabalho."

" Prioridade é decidida pela sua vontade mais profunda. Há uma diferença entre eu gosto e eu preciso. "

" Odin tem 50 anos porque nós nunca trabalhamos por dinheiro. Nunca quisemos ter piscina, cadilac, etc. Um ator pode viver em qualquer classe social.
Eu me sinto em casa dentro de mim. Li existencialismo. "

" Nunca tive a ambição de ser atriz. Sou artesã. Nós trabalhamos por paixão. Nós trabalhamos porque não podemos fazer menos. Todos aqui já poderiam ter se aposentado, mas não nos aposentamos, pois o que fazemos é relevante e nos mantém vivos. "

" Teatro pode mudar vidas. Ele mudou a minha. "

" A vida perfeita não existe, foi uma invenção.
A família perfeita não existe.
A vida não é assim! É muito melhor! "

11 - Observações

Algumas observações que anotei enquanto estava no Odin week:

" Vir ao Odin é como ir à Meca.
É como se encontrar com um monge tibetano num templo no Himalaia. É isso. É a melhor definição que encontro. Aqui é um templo que honra e preserva o teatro."

" E assim são essas pessoas do Odin...
Cheias de Amor, Vontade, Sensibilidade, Poesia, Fúria, Paixão, Silêncio, Grito, Força, Coragem e Luz, muita Luz. "

" Aqui a prioridade é bem clara: A Arte.
O Ofício do Ator.
E é para isso e por isso que todos estão aqui.
Eles sim, servem à Arte.
Vim aqui para começar a aprender o que é servir à Arte. "

" Obrigada por vocês terem feito esta escolha e por vocês seguirem este caminho e cuidarem e honrarem a Arte. Obrigada por vocês serem este exemplo vivo, que eu seguirei no fundo do meu coração e da minha Alma. "

" Aprendi prioridades aqui.
A prioridade é aArte. Não a fama, o dinheiro, eles até podem vir como consequência... Mas aqui é um lugar que nos faz lembrar quem somos e qual a nossa função. Nós servimos à Arte.
E a Arte é um meio para transformar a sociedade, cada ser humano, transformar a nós mesmos. "

segunda-feira, 21 de abril de 2014

10 - Terceiro dia no Odin Week - 19 de março

E no dia seguinte de manhã, fizemos duas horas de aula com Roberta Carreri e logo após ela fez mais duas horas de seu trabalho/demonstração intitulado PEGADAS NA NEVE. Isso porque na véspera, à noite, ela havia apresentado Judith, um trabalho solo intenso, dificilíssimo!!! E ela é uma artista com 60 anos de idade. Mas ela tem muito mais vigor e energia do que muitos jovens artistas que conheço. Aliás, isso é uma característica dos atores do Odin. Todos são vigorosos, presentes, enérgicos, atentos, vivos. E todos são assim em cena e fora de cena.

À tarde foi a vez de assistirmos Júlia varley com seu monólogo THE CASTLE OF HOLSTEBRO II.
Júlia chega plena de presença. A peça vai se construindo diante de nossos olhos. Uma atriz totalmente à serviço da ARTE. De repente a peça vai crescendo de tal forma... com sons enormes produzidos por Júlia... e junto desses sons sentimentos e emoções são produzidos em nós. Quando vi eu já estava chorando de novo. Mais uma mestra em cena... que honra poder vê-la. E aprender com ela o que é integridade cênica.
Júlia é como uma xamã. Poderosa. Simples. Segura. Conectada com a Terra e com os poderes sagrados do feminino. É assim que a percebo. É assim que sinto sua presença.

Depois da peça precisei ficar sozinha, em silêncio. Não estava triste, nem encucada, nem em crise. Simplesmente precisava ficar em silêncio.

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Após o jantar foi a vez de vermos ITSI BITSI, com a atriz Iben Nagel e os atores e músicos Kai Bredhold e Jan Ferslev. Como a peça seria apresentada em dinamarquês, nos deram antes o texto em espanhol para que soubéssemos do que se tratava. Li por alto.

Sentei na primeira fila. Para quê? Por que eu fiz isso? Por que eu me sentei na primeira fila? E não era qualquer primeira fila, eram cadeirinhas praticamente no palco!

Bem, sobre essa peça em dinamarquês? Comecei entrando em profundo silêncio. Depois eu suspirava. Depois eu suspirava com som. Então fiquei com os olhos úmidos. Depois começaram a escorrer lágrimas. Depois, além das lágrimas, meu nariz também começou a escorrer. Comecei então, lindamente a soluçar e finalmente tive que tampar minha boca com as mãos para que meu choro não atrapalhasse a peça que era em dinamarquês e que eu tinha apenas lido o texto por alto e mal entendia o que diziam!!!!

A peça tocou diretamente meu coração, meu inconsciente, minha alma, sei lá mais o quê! Nem quero saber! Nunca senti isso antes! Não sabia que era possível sentir isso vendo uma peça em dinamarquês que mal entendemos!!! Mas eu entendia tudo de uma maneira que não sei explicar!

A peça em si traz uma força. A presença dos três atores traz outra força. A presença das personagens mais outra força. Tudo tinha uma consistência que há muito tempo eu não via ou sentia. E ao mesmo tempo, era tudo tão poético, delicado, sutil. Havia tanto amor ali. Eu me emocionava vendo a peça em si e me emocionava ao ver aquelas pessoas que estavam ali atuando à serviço da ARTE.

Bem, em apenas três dias de Odin Week eu já havia desidratado de tanto chorar! O que seria de mim ao longo desses dez dias? Será que Rosa após sua profunda transformação iria desistir de tudo e vender imóveis? Será que Rosa partiria em busca de uma marido rico? Será que Rosa voltaria para o Brasil mandando todo mundo tomar no cu? Há, isso ela já costuma fazer... Aguardemos as cenas dos próximos capítulos de Transformação no Odin Week.

9 - Após assistir JUDITH - 18 de março

Após assistir Judith, com Roberta Carreri, em 18 de março:

" Como encontrar o caminho?
Do silêncio?
Como chegar nesse lugar?
Como encontrar?

Como não chorar depois de vê-la?

Tenho vontade de sair correndo.

Parece que tudo desmoronou. Não a minha volta, mas dentro de mim.

Existem alguns poucos artistas com a capacidade de te curar, de te transformar de verdade. Profundamente.

Não sei dizer quais foram os muros que caíram, pois o que sinto agora é que tudo veio abaixo dentro de mim.

Anos de leitura, estudo, tentativas.... e nada surtiu o efeito que Judith, com Roberta Carreri, causou em mim.

Ela se curou com este solo... e me curou também. Não sei do quê... Não sei em quê...
Ela me transformou em algo...
Não sei ainda em que me transformei...
Alguns artistas, que são mestres, têm essa capacidade... de transformar a gente em coisas que não sabemos o quê.
Só sei que tudo veio abaixo dentro de mim.
Sinto um nada dentro de mim.
Sinto uma profunda sensação de início...

Eu disse que quero fazer meu caminho espiritual através da Arte... pois bem... sinto que agora ele começou.

Porque hoje fui tocada por ela...
por Judith...
... por Roberta Carreri.