"E acabou que o ano novo foi engraçado...
Tudo foi dando errado... até que acabou dando certo...
Desistimos de todas as propostas... e em Berlim as pessoas agitadas soltavam bombas pelas ruas... ainda esporadicamente.
Fomos comer falafel. Só nós duas, num restaurante vazio, com apenas dois garçons. Eles ficaram com pena do ano novo "delas" ser ali, naquele boteco árabe com eles. Por isso capricharam no nosso falafel. Foi um banquete!
Meia-noite. Pela grande vitrine do bar nós duas vimos o cenário revivido de guerra em Berlim. Um horror. Bombas estourando próximas. Fumaça. A fumaça se misturava com a fumaça do passado que emergia trazendo memórias enevoadas de gritos, violência e horror.
Eu tentava me manter presente à realidade e lembrar que era apenas ano novo. Não eram bombas. Eram fogos de artifício. Eram comemorativos... mas próximos demais! Ruidozos demais! Assustadores demais! Era um campo de guerra!!!O que ficou em mim foi uma sensação ruim.
Eis que chegaram dois moços. Um alto. Um baixo. Sentaram-se à nossa mesa. Inteligentes, gentis, doces e educados. Um, filósofo e músico, o outro, cientista político. Avessos às bombas e ruídos, conversaram com as duas mulheres como se deve conversar com duas pessoas.
Fomos os quatro para um pub próximo. Ótima música! Dançamos até às cinco da manhã!
E acabou que o ano novo foi ótimo... "
Textos, poemas, reflexões e também fotos de espetáculos e bastidores de viagens, criações e apresentações
Próximas apresentações e workshops:
Rio de Janeiro:
- agosto: O Vestido - aguardem
E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
5 - Embaixada do Brasil em Berlim
No dia seguinte passei a manhã toda ligando para o achados e perdidos da cidade e dos ônibus, mas não conseguia falar. Era dia 30 de dezembro. Quase ano novo. No final da manhã consegui que me atendessem mas me disseram que a bolsa não estava lá. Como sabiam que não estava se não procuraram???
Fui na delegacia perto de onde eu estava. Fui muito bem atendida. Uma policial loura, alta, maravilhosa e muito bem educada veio me ajudar. Ela foi muito gentil e fez a ocorrência para mim. Saí de lá e então fomos, eu e Duda (que me apoiou muito neste momento), para a Embaixada Brasileira em Berlim. Levei comigo meu portifólio com os solos "Mulher Selvagem" e "O Vestido" e o portifólio da Cia Mário Nascimento. Era tudo o que eu tinha que confirmava que eu era eu.
Enquanto Duda usava a internet para se comunicar com meus pais e com o Mário para conseguir que enviassem uma cópia da minha carteira de identidade, eu fui muitíssimo bem recebida lá pela responsável : Anna Treno e também por toda sua equipe. Primeira coisa que ela perguntou foi se eu estava passando fome e se tinha onde dormir. Em seguida mostrei a ela meus portifólios. E ela disse que era uma honra estar diante de uma artista. Nem preciso dizer o quanto isso me emocionou. Ainda mais depois da noite terrível que eu havia passado. E ainda mais por eu viver no Brasil, um país onde os artistas não são respeitados.
Ela me disse que com os portifólios já era claro que eu era eu. E ela os anexou à minha documentação! Naquele momento senti plenamente que a Arte é realmente tudo o que eu tenho e que ali na Alemanha isso significava algo. Se no Brasil nos respeitassem como fui respeitada na Embaixada Brasileira em Berlim... os artistas aqui estariam em melhores condições.
Ainda consegui cópia de alguns documentos que minha produção me enviou (dei trabalho para eles até no ano novo! rs...). Resumindo, consegui fazer um passaporte rapidíssimo.
Querida Anna Treno e equipe, minha gratidão a vocês!
Quando eu for me apresentar em Berlim, vocês serão meus convidados!
Um grande abraço com muito carinho a vocês!
Rosa Antuña
Fui na delegacia perto de onde eu estava. Fui muito bem atendida. Uma policial loura, alta, maravilhosa e muito bem educada veio me ajudar. Ela foi muito gentil e fez a ocorrência para mim. Saí de lá e então fomos, eu e Duda (que me apoiou muito neste momento), para a Embaixada Brasileira em Berlim. Levei comigo meu portifólio com os solos "Mulher Selvagem" e "O Vestido" e o portifólio da Cia Mário Nascimento. Era tudo o que eu tinha que confirmava que eu era eu.
Enquanto Duda usava a internet para se comunicar com meus pais e com o Mário para conseguir que enviassem uma cópia da minha carteira de identidade, eu fui muitíssimo bem recebida lá pela responsável : Anna Treno e também por toda sua equipe. Primeira coisa que ela perguntou foi se eu estava passando fome e se tinha onde dormir. Em seguida mostrei a ela meus portifólios. E ela disse que era uma honra estar diante de uma artista. Nem preciso dizer o quanto isso me emocionou. Ainda mais depois da noite terrível que eu havia passado. E ainda mais por eu viver no Brasil, um país onde os artistas não são respeitados.
Ela me disse que com os portifólios já era claro que eu era eu. E ela os anexou à minha documentação! Naquele momento senti plenamente que a Arte é realmente tudo o que eu tenho e que ali na Alemanha isso significava algo. Se no Brasil nos respeitassem como fui respeitada na Embaixada Brasileira em Berlim... os artistas aqui estariam em melhores condições.
Ainda consegui cópia de alguns documentos que minha produção me enviou (dei trabalho para eles até no ano novo! rs...). Resumindo, consegui fazer um passaporte rapidíssimo.
Querida Anna Treno e equipe, minha gratidão a vocês!
Quando eu for me apresentar em Berlim, vocês serão meus convidados!
Um grande abraço com muito carinho a vocês!
Rosa Antuña
foto: Duda Las Casas
4 - Apuros em Berlim
Bem, após a residência artística no Odin fui pra Londres passar natal com meu querido amigo Giovanni Ferrari. E no ano novo fui pra Berlim.
Pois é. Foi aí. Foi aí que complicou tudo. Cheguei sozinha em Berlim dia 29 de dezembro de 2014 às 23:00hs. Fazia 6 graus negativos. Muita neve. Minhas amigas foram antes para lá e estavam me esperando no apartamento que alugamos.
Chego no aeroporto. Entro no ônibus. O ônibus para em Alexander Platz, em frente à estação de metrô. Desço. Dou alguns passos. Percebo que a minha bolsa verde não estava mais comigo. Um instante de profundo desespero. Outro instante de negação da realidade e no terceiro instante nasce em mim a necessidade urgente de solucionar o problema.
Voltei até o ponto de ônibus e tentei pegar um taxi e dizer a ele "siga aquele ônibus!"; mas não deu certo... primeiro porque não me comuniquei bem em alemão (morei em Dresden de 96 a 98, precisaria de um tempo pra resgatar o idioma perdido nos meus recônditos cerebrais que hoje apenas armazenam informações sobre projetos de Lei de Incentivo e editais e datas e quanto está faltando de dinheiro).
Fui então para o ponto de ônibus em frente e consegui dizer para o motorista que eu havia esquecido minha bolsa verde no outro ônibus. Ele deu um aviso pelo microfone em todos os ônibus. E responderam que nada foi encontrado. Agradeci. Desolada. Fui caminhando em direção ao metrô. Na neve. Menos 6 graus. Arrastando uma mala.
Sensação de impotência! Isso merece um parágrafo à parte, sem sombra de dúvida! Pois ali, naquele momento, pude corporificar, pude sentir plenamente, pude viver uma situação bem didática que demonstrava claramente o que é uma situação de impotência. Eu sabia que minha bolsa estava no ônibus. Sabia que o Ônibus estava indo para a garagem. Mas eu mal falava o idioma, não tinha nenhum documento(nem o passaporte), não tinha nem um centavo, nem um cartão de crédito, nem o celular, nem o tablet, nem minha agenda (com o endereço do apartamento onde eu ficaria hospedada) e nem uma barra de chocolate. Eu ali não era ninguém. Sem dinheiro, eu não tinha direito a nada. Fui reduzida instantaneamente a um floco de neve (isso porque eu estava na Alemanha, pois se eu estivesse no Brasil teria sido reduzida instantaneamente a uma bolota de merda).
Fui até a estação de metrô. E em vão tentei falar com um rapaz que trabalhava lá... mas ele apenas me disse onde era a polícia. Já era quase meia-noite. O movimento de pessoas nas ruas já havia reduzido bastante. Saí perambulando à procura da polícia. Não encontrei. É claro que Pai Benedito e todos os meus mentores estavam comigo e não me esqueci disso nem um momento. Passei em frente a um bar e havia um rapazinho simpático. Perguntei a ele onde era a polícia. Ele era argentino e pudemos falar em espanhol. Ele achou estranho e me perguntou para que eu queria ir na polícia. Ali não aguentei mais e abri a boca a chorar! Contei tudo. O que mais me afligia é que eu não tinha o endereço para onde eu deveria ir e as meninas tinham me dito que onde elas estavam estava sem internet!!!!! Bem, ele me chamou para entrar no bar, me pagou uma água e deixou que eu usasse a internet do celular dele. No meu facebook tinha inbox o endereço para onde eu deveria ir. E consegui pedir que amigos avisassem meus pais para cancelar meus cartões de crédito. O Lucas (o argentino) foi comigo até a polícia mas me mandaram esperar até o outro dia e me deram um telefone de achados e perdidos para eu ficar ligando. O Lucas foi extremamente gentil e atencioso e foi quem também me ajudou a pegar o taxi para o ap. Chegando no apartamento subi e pedi para a Duda pagar o taxi para mim.
Passei mal a noite inteira. Não conseguia acreditar que eu tinha esquecida minha bolsa verde com todo meu dinheiro e passaporte e tablet e celular e agenda e chocolate no ônibus em Berlim.
Pois é. Foi aí. Foi aí que complicou tudo. Cheguei sozinha em Berlim dia 29 de dezembro de 2014 às 23:00hs. Fazia 6 graus negativos. Muita neve. Minhas amigas foram antes para lá e estavam me esperando no apartamento que alugamos.
Chego no aeroporto. Entro no ônibus. O ônibus para em Alexander Platz, em frente à estação de metrô. Desço. Dou alguns passos. Percebo que a minha bolsa verde não estava mais comigo. Um instante de profundo desespero. Outro instante de negação da realidade e no terceiro instante nasce em mim a necessidade urgente de solucionar o problema.
Voltei até o ponto de ônibus e tentei pegar um taxi e dizer a ele "siga aquele ônibus!"; mas não deu certo... primeiro porque não me comuniquei bem em alemão (morei em Dresden de 96 a 98, precisaria de um tempo pra resgatar o idioma perdido nos meus recônditos cerebrais que hoje apenas armazenam informações sobre projetos de Lei de Incentivo e editais e datas e quanto está faltando de dinheiro).
Fui então para o ponto de ônibus em frente e consegui dizer para o motorista que eu havia esquecido minha bolsa verde no outro ônibus. Ele deu um aviso pelo microfone em todos os ônibus. E responderam que nada foi encontrado. Agradeci. Desolada. Fui caminhando em direção ao metrô. Na neve. Menos 6 graus. Arrastando uma mala.
Sensação de impotência! Isso merece um parágrafo à parte, sem sombra de dúvida! Pois ali, naquele momento, pude corporificar, pude sentir plenamente, pude viver uma situação bem didática que demonstrava claramente o que é uma situação de impotência. Eu sabia que minha bolsa estava no ônibus. Sabia que o Ônibus estava indo para a garagem. Mas eu mal falava o idioma, não tinha nenhum documento(nem o passaporte), não tinha nem um centavo, nem um cartão de crédito, nem o celular, nem o tablet, nem minha agenda (com o endereço do apartamento onde eu ficaria hospedada) e nem uma barra de chocolate. Eu ali não era ninguém. Sem dinheiro, eu não tinha direito a nada. Fui reduzida instantaneamente a um floco de neve (isso porque eu estava na Alemanha, pois se eu estivesse no Brasil teria sido reduzida instantaneamente a uma bolota de merda).
Fui até a estação de metrô. E em vão tentei falar com um rapaz que trabalhava lá... mas ele apenas me disse onde era a polícia. Já era quase meia-noite. O movimento de pessoas nas ruas já havia reduzido bastante. Saí perambulando à procura da polícia. Não encontrei. É claro que Pai Benedito e todos os meus mentores estavam comigo e não me esqueci disso nem um momento. Passei em frente a um bar e havia um rapazinho simpático. Perguntei a ele onde era a polícia. Ele era argentino e pudemos falar em espanhol. Ele achou estranho e me perguntou para que eu queria ir na polícia. Ali não aguentei mais e abri a boca a chorar! Contei tudo. O que mais me afligia é que eu não tinha o endereço para onde eu deveria ir e as meninas tinham me dito que onde elas estavam estava sem internet!!!!! Bem, ele me chamou para entrar no bar, me pagou uma água e deixou que eu usasse a internet do celular dele. No meu facebook tinha inbox o endereço para onde eu deveria ir. E consegui pedir que amigos avisassem meus pais para cancelar meus cartões de crédito. O Lucas (o argentino) foi comigo até a polícia mas me mandaram esperar até o outro dia e me deram um telefone de achados e perdidos para eu ficar ligando. O Lucas foi extremamente gentil e atencioso e foi quem também me ajudou a pegar o taxi para o ap. Chegando no apartamento subi e pedi para a Duda pagar o taxi para mim.
Passei mal a noite inteira. Não conseguia acreditar que eu tinha esquecida minha bolsa verde com todo meu dinheiro e passaporte e tablet e celular e agenda e chocolate no ônibus em Berlim.
foto : Duda Las Casas
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
3 - Residência Artística no Odin Teatret
Em Londres.
Foi impossível escrever no blog durante a Residência Artística que fiz no Odin Teatret, em Holstebro, Dinamarca.
Foram 3 semanas de completa imersão, de 1 a 19 de dezembro.
Nas duas primeiras semanas fiz o workshop Dança das Intenções, com Roberta Carreri de 8:00h às 10:00h; em seguida eu tinha ensaio com ela de 10:30 às 13:00h. Pausa para fazermos almoço até às 14:00h. E à tarde, de 14:00h às 17:00h eu assistia o ensaio da Roberta com as atrizes Giulia (Itália) e Carolina (Chile). Após este horário era o tempo de fazer a limpeza no Odin, fazer o jantar, estudar todas as correções para o dia seguinte (e sempre eram muitas, eu ficava no estúdio trabalhando até umas 21:00h), tomar banho e dormir.
Na terceira semana as duas atrizes foram embora então trabalhei com Roberta de manhã e à tarde.
A chegada no Odin
Pegamos o trem (eu e Duda) de Copenhagen para Holstebro. 4 horas muito agradáveis de viagem. Eu estava ansiosa, pois sabia que não seria fácil. Estava preocupada com o material que eu mostraria à Roberta, as cenas que estudei, etc… eu já tinha muita coisa, mas achava insuficiente…
No trem conhecemos 3 rapazes do oriente Médio, mas que moram no interior da Dinamarca há muitos anos. Fomos jogando baralho com eles e nos divertimos bastante.
Finalmente chegamos em Holstebro. Muito frio, já estava escuro às 16:00h. Pegamos um taxi e fomos pro Odin.
Fomos recebidas pela querida Giulia que também fazia residência artística lá com a Roberta. Nos acomodamos em nossos quartos. No dia seguinte às 8:00h começaria o workshop da Roberta, Dança das Intenções. Eu estava muito ansiosa e preocupada com o que mostraria no meu ensaio… foi muito difícil dormir. Meus dois solos anteriores Mulher Selvagem e O Vestido, eu mesma dirigi. E sabia que precisava ser dirigida agora para avançar artisticamente em meu trabalho. Mas também sabia que avançar artisticamente significava ir além do que estava habituada, sair da minha zona de conforto, ser confrontada, ser cobrada e exigida, e isso, é claro que não seria fácil.
Escolhi Roberta Carreri para me dirigir em A Mulher que Cuspiu a Maçã pois tenho uma profunda admiração por ela e pelo trabalho dela. A vi em cena em Judith, no Odin Week, em março de 2014 e fiquei profundamente tocada. Chorei cântaros neste espetáculo. Vi que ainda tenho um longo caminho a percorrer e quero e preciso estudar e aprender mais. Foi quando a convidei para me dirigir no trabalho que encerra a Trilogia do Feminino, que comecei em 2010. E depois de muita conversa fechamos a data para esta residência artística no Odin Teatret. Sem dúvida, o começo de uma nova etapa na minha carreira.
mais informações em : www.nucleoantuna.blogspot.com.br
Foi impossível escrever no blog durante a Residência Artística que fiz no Odin Teatret, em Holstebro, Dinamarca.
Foram 3 semanas de completa imersão, de 1 a 19 de dezembro.
Nas duas primeiras semanas fiz o workshop Dança das Intenções, com Roberta Carreri de 8:00h às 10:00h; em seguida eu tinha ensaio com ela de 10:30 às 13:00h. Pausa para fazermos almoço até às 14:00h. E à tarde, de 14:00h às 17:00h eu assistia o ensaio da Roberta com as atrizes Giulia (Itália) e Carolina (Chile). Após este horário era o tempo de fazer a limpeza no Odin, fazer o jantar, estudar todas as correções para o dia seguinte (e sempre eram muitas, eu ficava no estúdio trabalhando até umas 21:00h), tomar banho e dormir.
Na terceira semana as duas atrizes foram embora então trabalhei com Roberta de manhã e à tarde.
A chegada no Odin
foto: Duda las Casas
Pegamos o trem (eu e Duda) de Copenhagen para Holstebro. 4 horas muito agradáveis de viagem. Eu estava ansiosa, pois sabia que não seria fácil. Estava preocupada com o material que eu mostraria à Roberta, as cenas que estudei, etc… eu já tinha muita coisa, mas achava insuficiente…
No trem conhecemos 3 rapazes do oriente Médio, mas que moram no interior da Dinamarca há muitos anos. Fomos jogando baralho com eles e nos divertimos bastante.
Finalmente chegamos em Holstebro. Muito frio, já estava escuro às 16:00h. Pegamos um taxi e fomos pro Odin.
Fomos recebidas pela querida Giulia que também fazia residência artística lá com a Roberta. Nos acomodamos em nossos quartos. No dia seguinte às 8:00h começaria o workshop da Roberta, Dança das Intenções. Eu estava muito ansiosa e preocupada com o que mostraria no meu ensaio… foi muito difícil dormir. Meus dois solos anteriores Mulher Selvagem e O Vestido, eu mesma dirigi. E sabia que precisava ser dirigida agora para avançar artisticamente em meu trabalho. Mas também sabia que avançar artisticamente significava ir além do que estava habituada, sair da minha zona de conforto, ser confrontada, ser cobrada e exigida, e isso, é claro que não seria fácil.
Escolhi Roberta Carreri para me dirigir em A Mulher que Cuspiu a Maçã pois tenho uma profunda admiração por ela e pelo trabalho dela. A vi em cena em Judith, no Odin Week, em março de 2014 e fiquei profundamente tocada. Chorei cântaros neste espetáculo. Vi que ainda tenho um longo caminho a percorrer e quero e preciso estudar e aprender mais. Foi quando a convidei para me dirigir no trabalho que encerra a Trilogia do Feminino, que comecei em 2010. E depois de muita conversa fechamos a data para esta residência artística no Odin Teatret. Sem dúvida, o começo de uma nova etapa na minha carreira.
mais informações em : www.nucleoantuna.blogspot.com.br
sábado, 29 de novembro de 2014
2 - Copenhagen
Chegamos em Copenhagen.
Saímos do avião e caímos sem saber como, num free shopping gigantesco!!! Rodamos por ali, como duas baratas tontas. Lembramos que tínhamos que pegar nossas bagagens. Com dificuldade encontramos o lugar, mas nossas malas não estavam lá… fomos pedir informação e lá estavam elas, nossas malinhas. nos esperando como crianças que se perderam das mães… demoramos demais olhando o free shopping… ainda bem que não temos filhos.
Saímos do aeroporto e bem em frente estava o ponto do ônibus que nos levaria ao hotel. Eram 16:00hs e já era noite. Gelado. Um vento que doía nossos ossos. Estávamos bem agasalhadas, mas parecia que não.
Chegamos no Bella Sky Conwell Hotel. Escolhemos pela internet. Parece uma base intergaláctica na Terra! Modernérrimo! Adoramos! Muito bem atendido, tudo tecnológico, colorido, prático. O quarto é lindo. Um design incrível!
Tomei banho, tomei meus suplementos alimentares e às 18:00hs dormi. Nem vi a Duda. acordei no outro dia, com o despertador, às 8:30hs da manhã!
Tomamos café às 10:00hs. Um lugar enorme e lotado, mas super organizado! Um café da manhã como nunca vi igual! Tinha para todos os gostos!!! Eu consegui comer o que costumo comer na minha rotina. Fiquei extremamente feliz. Tudo prático!
Subimos e começamos a gravar algumas cenas para o filme no banheiro.
Sim. Ainda tem um filme nessa história.
Depois fomos conhecer o Tivoli Park! Incrível! E todo enfeitado de Natal, parecia um sonho! E as crianças dinamarquesas parecem de brinquedo! Louras, com bochechas vermelhas! Aliás, adorei o povo dinamarquês! Animado, gentil, bem-humorado… pena que não tínhamos tempo para ficar mais em Copenhagen, pois vale à pena!
À noite gravamos mais algumas imagens pro filme no Hotel. Dia seguinte pegaríamos o trem pra Holstebro, Dinamarca, onde fica o Odin Teatret.
Saímos do avião e caímos sem saber como, num free shopping gigantesco!!! Rodamos por ali, como duas baratas tontas. Lembramos que tínhamos que pegar nossas bagagens. Com dificuldade encontramos o lugar, mas nossas malas não estavam lá… fomos pedir informação e lá estavam elas, nossas malinhas. nos esperando como crianças que se perderam das mães… demoramos demais olhando o free shopping… ainda bem que não temos filhos.
Saímos do aeroporto e bem em frente estava o ponto do ônibus que nos levaria ao hotel. Eram 16:00hs e já era noite. Gelado. Um vento que doía nossos ossos. Estávamos bem agasalhadas, mas parecia que não.
Chegamos no Bella Sky Conwell Hotel. Escolhemos pela internet. Parece uma base intergaláctica na Terra! Modernérrimo! Adoramos! Muito bem atendido, tudo tecnológico, colorido, prático. O quarto é lindo. Um design incrível!
Tomei banho, tomei meus suplementos alimentares e às 18:00hs dormi. Nem vi a Duda. acordei no outro dia, com o despertador, às 8:30hs da manhã!
Tomamos café às 10:00hs. Um lugar enorme e lotado, mas super organizado! Um café da manhã como nunca vi igual! Tinha para todos os gostos!!! Eu consegui comer o que costumo comer na minha rotina. Fiquei extremamente feliz. Tudo prático!
Subimos e começamos a gravar algumas cenas para o filme no banheiro.
Sim. Ainda tem um filme nessa história.
Depois fomos conhecer o Tivoli Park! Incrível! E todo enfeitado de Natal, parecia um sonho! E as crianças dinamarquesas parecem de brinquedo! Louras, com bochechas vermelhas! Aliás, adorei o povo dinamarquês! Animado, gentil, bem-humorado… pena que não tínhamos tempo para ficar mais em Copenhagen, pois vale à pena!
À noite gravamos mais algumas imagens pro filme no Hotel. Dia seguinte pegaríamos o trem pra Holstebro, Dinamarca, onde fica o Odin Teatret.
1 - Início da viagem, início de um processo...
Nova etapa se inicia.
Há um ano estou na pesquisa para meu próximo solo "A Mulher que Cuspiu a Maçã". Ele encerrará a "Trilogia do Feminino" que começou com "Mulher Selvagem" e em seguida com "O Vestido".
Nos últimos meses intensifiquei a pesquisa do solo, que começou com a leitura do livro "A Cama na Varanda", de Regina Navarro Lins. Mais textos, pesquisa de movimento, início de algumas cenas, estudos vocais, ideias para figurinos… e claro, dúvidas, conflitos existenciais, ansiedade e medo.
Entro agora em uma nova etapa deste processo criativo.
Dia 27 de novembro meus pais me acompanharam, mais uma vez, até o aeroporto de Confins. Recebo deles um apoio incondicional que sempre me conforta e graças também a esse apoio pude não desistir da carreira que escolhi.
Partimos, Duda e eu, do Galeão, Rio de Janeiro, para Copenhagen, via Paris.
O voo foi em permanente turbulência suave… mas o suficiente para não dormirmos muito bem. Senti também que estava bastante apertada a classe econômica… a distância entre as poltronas está cada vez menor. Ao menos o jantar foi bom (ou talvez minha fome estivesse enorme). Assisti Malévola pela segunda vez. rs…
Descemos em Copenhagen (sempre é uma profunda sensação de alívio esse momento em que o avião toca terra firme). Chegamos às 8:00hs, nosso voo para Copenhagen seria às 13:00hs apenas.
Algumas voltas pelo Charles de Gaulle… um lanche e fomos pro portão de embarque tentar dormir um pouco.
Um certo mau humor pairava sobre nós. Nada que uma boa noite de sono não resolvesse!
quarta-feira, 28 de maio de 2014
13 - Conversa com Eugênio Barba
Frases que captei de algumas conversas que tivemos com Eugênio Barba:
" Aprendi minha profissão de diretor no corpo dos meus atores. "
" No Grotowsky os homens eram mais importantes, aqui não, aqui a força vem das mulheres e fui obrigado a me adaptar. "
" Nenhum ser humano gosta de ser escravo. Você aceita a disciplina se você sente que a pessoa (o diretor) não está te explorando. "
" Somos movidos por forças ocultas que podem ser destrutivas ou construtivas. É uma escolha. "
" Estou mais interessado na força do caráter, do que no talento do artista. "
" Quando você for fazer os seus espetáculos, você deve buscar os seus próprios espectadores. "
" Para manter um ator com você precisa ter AMOR, FORÇA e DINHEIRO. "
" Você precisa considerar a dimensão da morte para saber da vida. A morte traz consciência do que você está fazendo na sua vida. "
" Aprendi minha profissão de diretor no corpo dos meus atores. "
" No Grotowsky os homens eram mais importantes, aqui não, aqui a força vem das mulheres e fui obrigado a me adaptar. "
" Nenhum ser humano gosta de ser escravo. Você aceita a disciplina se você sente que a pessoa (o diretor) não está te explorando. "
" Somos movidos por forças ocultas que podem ser destrutivas ou construtivas. É uma escolha. "
" Estou mais interessado na força do caráter, do que no talento do artista. "
" Quando você for fazer os seus espetáculos, você deve buscar os seus próprios espectadores. "
" Para manter um ator com você precisa ter AMOR, FORÇA e DINHEIRO. "
" Você precisa considerar a dimensão da morte para saber da vida. A morte traz consciência do que você está fazendo na sua vida. "
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