Próximas apresentações e workshops:

Rio de Janeiro:
- agosto: O Vestido - aguardem

E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

13 - Conversa com Eugênio Barba

Frases que captei de algumas conversas que tivemos com Eugênio Barba:

" Aprendi minha profissão de diretor no corpo dos meus atores. "

" No Grotowsky os homens eram mais importantes, aqui não, aqui a força vem das mulheres e fui obrigado a me adaptar. "

" Nenhum ser humano gosta de ser escravo. Você aceita a disciplina se você sente que a pessoa (o diretor) não está te explorando. "

" Somos movidos por forças ocultas que podem ser destrutivas ou construtivas. É uma escolha. "

" Estou mais interessado na força do caráter, do que no talento do artista. "

" Quando você for fazer os seus espetáculos, você deve buscar os seus próprios espectadores. "

" Para manter um ator com você precisa ter AMOR, FORÇA e DINHEIRO. "

" Você precisa considerar a dimensão da morte para saber da vida. A morte traz consciência do que você está fazendo na sua vida. "

12 - Conversa com Roberta Carreri

No dia em que tivemos uma conversa com Roberta Carreri anotei algumas coisas que ela disse:

" Eu ensino meus segredos às pessoas porque quero ver bons atores."

" Sempre aprendo uma técnica nova para cada nova criação. "

" Você não decide com a cabeça, mas sim com seu estômago! Eu quis deixar o Odin e voltar para a Itália, com a minha cabeça... mas... acabei ficando aqui... com essas pessoas eu posso brigar, mas também posso acreditar. Elas fazem o que falam. "

" Você precisa ser flexível, não rígido, e aprender a entender o outro, mesmo que você não concorde. No Odin você não afirma o seu ponto de vista, sim o seu ponto de atuação."

" Criatividade é resultado do trabalho."

" Prioridade é decidida pela sua vontade mais profunda. Há uma diferença entre eu gosto e eu preciso. "

" Odin tem 50 anos porque nós nunca trabalhamos por dinheiro. Nunca quisemos ter piscina, cadilac, etc. Um ator pode viver em qualquer classe social.
Eu me sinto em casa dentro de mim. Li existencialismo. "

" Nunca tive a ambição de ser atriz. Sou artesã. Nós trabalhamos por paixão. Nós trabalhamos porque não podemos fazer menos. Todos aqui já poderiam ter se aposentado, mas não nos aposentamos, pois o que fazemos é relevante e nos mantém vivos. "

" Teatro pode mudar vidas. Ele mudou a minha. "

" A vida perfeita não existe, foi uma invenção.
A família perfeita não existe.
A vida não é assim! É muito melhor! "

11 - Observações

Algumas observações que anotei enquanto estava no Odin week:

" Vir ao Odin é como ir à Meca.
É como se encontrar com um monge tibetano num templo no Himalaia. É isso. É a melhor definição que encontro. Aqui é um templo que honra e preserva o teatro."

" E assim são essas pessoas do Odin...
Cheias de Amor, Vontade, Sensibilidade, Poesia, Fúria, Paixão, Silêncio, Grito, Força, Coragem e Luz, muita Luz. "

" Aqui a prioridade é bem clara: A Arte.
O Ofício do Ator.
E é para isso e por isso que todos estão aqui.
Eles sim, servem à Arte.
Vim aqui para começar a aprender o que é servir à Arte. "

" Obrigada por vocês terem feito esta escolha e por vocês seguirem este caminho e cuidarem e honrarem a Arte. Obrigada por vocês serem este exemplo vivo, que eu seguirei no fundo do meu coração e da minha Alma. "

" Aprendi prioridades aqui.
A prioridade é aArte. Não a fama, o dinheiro, eles até podem vir como consequência... Mas aqui é um lugar que nos faz lembrar quem somos e qual a nossa função. Nós servimos à Arte.
E a Arte é um meio para transformar a sociedade, cada ser humano, transformar a nós mesmos. "

segunda-feira, 21 de abril de 2014

10 - Terceiro dia no Odin Week - 19 de março

E no dia seguinte de manhã, fizemos duas horas de aula com Roberta Carreri e logo após ela fez mais duas horas de seu trabalho/demonstração intitulado PEGADAS NA NEVE. Isso porque na véspera, à noite, ela havia apresentado Judith, um trabalho solo intenso, dificilíssimo!!! E ela é uma artista com 60 anos de idade. Mas ela tem muito mais vigor e energia do que muitos jovens artistas que conheço. Aliás, isso é uma característica dos atores do Odin. Todos são vigorosos, presentes, enérgicos, atentos, vivos. E todos são assim em cena e fora de cena.

À tarde foi a vez de assistirmos Júlia varley com seu monólogo THE CASTLE OF HOLSTEBRO II.
Júlia chega plena de presença. A peça vai se construindo diante de nossos olhos. Uma atriz totalmente à serviço da ARTE. De repente a peça vai crescendo de tal forma... com sons enormes produzidos por Júlia... e junto desses sons sentimentos e emoções são produzidos em nós. Quando vi eu já estava chorando de novo. Mais uma mestra em cena... que honra poder vê-la. E aprender com ela o que é integridade cênica.
Júlia é como uma xamã. Poderosa. Simples. Segura. Conectada com a Terra e com os poderes sagrados do feminino. É assim que a percebo. É assim que sinto sua presença.

Depois da peça precisei ficar sozinha, em silêncio. Não estava triste, nem encucada, nem em crise. Simplesmente precisava ficar em silêncio.

*********************************************************************************

Após o jantar foi a vez de vermos ITSI BITSI, com a atriz Iben Nagel e os atores e músicos Kai Bredhold e Jan Ferslev. Como a peça seria apresentada em dinamarquês, nos deram antes o texto em espanhol para que soubéssemos do que se tratava. Li por alto.

Sentei na primeira fila. Para quê? Por que eu fiz isso? Por que eu me sentei na primeira fila? E não era qualquer primeira fila, eram cadeirinhas praticamente no palco!

Bem, sobre essa peça em dinamarquês? Comecei entrando em profundo silêncio. Depois eu suspirava. Depois eu suspirava com som. Então fiquei com os olhos úmidos. Depois começaram a escorrer lágrimas. Depois, além das lágrimas, meu nariz também começou a escorrer. Comecei então, lindamente a soluçar e finalmente tive que tampar minha boca com as mãos para que meu choro não atrapalhasse a peça que era em dinamarquês e que eu tinha apenas lido o texto por alto e mal entendia o que diziam!!!!

A peça tocou diretamente meu coração, meu inconsciente, minha alma, sei lá mais o quê! Nem quero saber! Nunca senti isso antes! Não sabia que era possível sentir isso vendo uma peça em dinamarquês que mal entendemos!!! Mas eu entendia tudo de uma maneira que não sei explicar!

A peça em si traz uma força. A presença dos três atores traz outra força. A presença das personagens mais outra força. Tudo tinha uma consistência que há muito tempo eu não via ou sentia. E ao mesmo tempo, era tudo tão poético, delicado, sutil. Havia tanto amor ali. Eu me emocionava vendo a peça em si e me emocionava ao ver aquelas pessoas que estavam ali atuando à serviço da ARTE.

Bem, em apenas três dias de Odin Week eu já havia desidratado de tanto chorar! O que seria de mim ao longo desses dez dias? Será que Rosa após sua profunda transformação iria desistir de tudo e vender imóveis? Será que Rosa partiria em busca de uma marido rico? Será que Rosa voltaria para o Brasil mandando todo mundo tomar no cu? Há, isso ela já costuma fazer... Aguardemos as cenas dos próximos capítulos de Transformação no Odin Week.

9 - Após assistir JUDITH - 18 de março

Após assistir Judith, com Roberta Carreri, em 18 de março:

" Como encontrar o caminho?
Do silêncio?
Como chegar nesse lugar?
Como encontrar?

Como não chorar depois de vê-la?

Tenho vontade de sair correndo.

Parece que tudo desmoronou. Não a minha volta, mas dentro de mim.

Existem alguns poucos artistas com a capacidade de te curar, de te transformar de verdade. Profundamente.

Não sei dizer quais foram os muros que caíram, pois o que sinto agora é que tudo veio abaixo dentro de mim.

Anos de leitura, estudo, tentativas.... e nada surtiu o efeito que Judith, com Roberta Carreri, causou em mim.

Ela se curou com este solo... e me curou também. Não sei do quê... Não sei em quê...
Ela me transformou em algo...
Não sei ainda em que me transformei...
Alguns artistas, que são mestres, têm essa capacidade... de transformar a gente em coisas que não sabemos o quê.
Só sei que tudo veio abaixo dentro de mim.
Sinto um nada dentro de mim.
Sinto uma profunda sensação de início...

Eu disse que quero fazer meu caminho espiritual através da Arte... pois bem... sinto que agora ele começou.

Porque hoje fui tocada por ela...
por Judith...
... por Roberta Carreri.

8 - Dentro do esqueleto da Baleia, direção Eugênio Barba

Após o jantar foi a hora do primeiro espetáculo : INSIDE THE SKELETON OF THE WALE (Dentro do Esqueleto da Baleia).

Foi incrível. Tudo no Odin é solene. O ofício do ator é sagrado. As pequenas coisas nos fortalecem para as grandes coisas. Tudo é treinamento. Tudo é exercício de vida. Tudo é natural. Tudo é simples. Tudo é profundo. Tudo é.

Entramos na sala branca. Duas grandes mesas, uma de frente para outra, próximas às paredes. Uma cadeira para cada um de nós. Uma vela na mesa diante de cada um de nós. Taças de vinho e pão. Anne e Eugênio nos serviram o vinho, olhando em nossos olhos. Pensei: "Eugênio Barba nos serviu vinho..." E com isso ele estava nos ensinando a servir. Servir tanto nas pequenas coisas da vida, quanto a um propósito maior: A ARTE.

A peça foi emocionante. Todos os atores do Odin com uma intensidade cênica... anos de estrada... Chorei demais. Uma energia muito forte. Uma sensação de presença. PRESENÇA.

Quando acabou os atores simplesmente foram embora. Ficamos ali. Em silêncio por um bom tempo. Eu queria apenas ficar parada respirando. Realmente eu não tinha vontade de fazer nada. A vontade era de viver aquele silêncio recheado de algo que não sabíamos definir o que, mas incomodava. Era um silêncio gordo. Era um silêncio gordo. Comecei a comer o pão  e a beber o vinho. Era um silêncio gordo.

Então alguns aplaudiram... mas não deu muito certo.

Os atores entraram novamente com roupas normais(não mais com os figurinos da peça) e brindaram com cada um de nós, olhando em nossos olhos. Sublime.
Que respeito, que acolhimento, que delicadeza... que delícia!...

E assim eles nos deram as boas-vindas!

Então nós arrumamos o local e conversamos um pouco. Fomos para nossos quartos. Eu e Angelina estávamos em êxtase, com os olhos arregalados e úmidos e vermelhos. Conversamos até bem tarde. Foi difícil dormir naquela noite.

7 - Primeiro encontro com Eugênio Barba

Às 17:00hs foi nosso primeiro encontro com Eugênio Barba.
Chegamos na sala vermelha e as cadeirinhas já estavam dispostas em um grande círculo. Éramos 50 participantes vindos do Brasil, México, França, Ilha de Malta, Eslováquia, Dinamarca, China, Itália, EUA, Taiwan, Suíça e Noruega.

Foi emocionante estar ali com Eugênio e aquele grupo de pessoas vindas de todas as partes do mundo... é como quem tem que ir à Meca... sim, nós chegamos à nossa "Meca".

Eugênio agradeceu a cada um de nós pelo esforço que fizemos para estar ali. Que a nossa presença ali mostrava a ele a importância do Odin Teatret. Pessoas do mundo todo foram parar em Holstebro, interior da Dinamarca, para participar do Odin Week durante dez dias.
Ele também nos disse para mantermos nossa chama acesa... para mantermos vivo o teatro que acreditamos... para não fazermos concessões, que teatro não é mero entretenimento. Levantou a questão sobre qual o teatro que queremos fazer nas nossas vidas. Existe conceito, existe estudo, existe pesquisa. E existem as escolhas que fazemos.

Depois cada um se apresentou (em inglês). A maioria dos chineses e dos mexicanos não falava inglês. E cada país tinha seu "próprio" inglês. Interessante! rs...