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- agosto: O Vestido - aguardem

E no segundo semestre tem estreia: ANGELINA!

domingo, 15 de abril de 2012

Bate-Papo no Complexo Cultural da Zona Norte de Natal

Após nossa apresentação, que foi a décima em 17 dias, houve o bate-papo com a platéia. Estávamos já muito cansados. Pegaríamos o vôo bem cedo no outro dia. Havia poucas pessoas para o bate-papo. 
Foi quando veio uma mulher muito engraçada falando sobre o espetáculo. Todos rimos muito. Ela foi muito divertida. Em seguida, uma professora, Rhena, começou a falar sobre o quanto ela gostaria que os alunos dela tivessem visto este trabalho. O quanto é importante o tempo para refletir sobre nós mesmos... O quanto poderia haver mais espetáculos ali na zona norte de Natal... ela foi muito sensível e bem articulada em sua colocação. Outra moça disse ainda que notou como todos fazemos o nosso trabalho com muita paixão. Até aí eu já estava bem sensibilizada.
Foi quando uma mulher de olhar muito doce começou a falar. E ela foi falando, falando, tecendo seus sentimentos e sensações sobre o espetáculo de uma forma rara e sábia. A ouvimos com atenção. Enquanto ela falava pensei  "este bate-papo é feito para nós, não para a platéia... somos nós quem precisamos aprender com o olhar do público sobre nosso trabalho... somos nós quem precisamos ouvir as palavras de força e incentivo para seguirmos em frente, apesar das dificuldades, cansaço, saudades de casa... o momento do bate-papo é quando recebemos o retorno para nos reforçar que estamos no caminho certo e que ainda há muito por vir... muito crescimento, aprendizado... o momento do bate-papo está se tornando, ao menos para mim, um momento sagrado dentro dessa tournée." E enquanto eu pensava isso e ouvia a mulher falando, minhas lágrimas iam escorrendo... Ela é Dorinha Timóteo. Pedagoga e contadora de histórias, muito atuante ali na região da zona norte de Natal. Foi um prazer, uma alegria e uma honra tê-la ali conosco.



Novos amigos da zona norte de Natal. Esperamos voltar em breve!

NATAL

Saímos às 8:30hs de van para Natal. Tínhamos uma apresentação no mesmo dia às 20:00hs! Bem corrido. Chegamos em Natal 12:00hs.
 Lá é simplesmente maravilhoso! Um mar azul demais! Antes de ir para o Centro de Convenções consegui dar um mergulho ali em Ponta Negra, pois a nossa Pousada (do SESC) era bem pertinho da praia (Graças a Deus!). Me senti bem melhor, pois o mar me recupera muito!
Dançamos para 900 pessoas. Público muito agitado. Principalmente as mulheres que gritavam sempre que os bailarinos da Cia apareciam. Em contraponto havia inúmeras pessoas interessadas, que pediam silêncio. Mas mesmo assim, o espetáculo foi muito bom! Bem liso! E senti uma concentração e uma força... Senti uma presença comigo que me ajudou muito. Senti que dessa temporada, este foi o dia em que melhor dancei.
Bate-papo em seguida com a platéia. É claro que aqueles que foram desrespeitosos não ficaram. O Grupo Gira Dança esteve presente, além de outros artistas da cidade. Conversamos sobre esta questão do mau comportamento nos teatros. Como fazer para formar platéia... afinal, o teatro estava lotado com 900 pessoas!!!  Os produtores Daniel e Nilton arrasaram! E é claro que quem perturbou foi uma minoria, mas até que ponto eles têm esse direito? Como fazer? É uma questão muito delicada... Também conversamos sobre o processo de montagem, o uso da música, texto, dança... foi muito bom!

No dia seguinte consegui ir à praia de novo e à noite a apresentação foi no COMPLEXO CULTURAL DA ZONA NORTE, que no passado, foi um presídio e agora é um lugar para a cultura! Estava lotado : 400 pessoas.

Enquanto estávamos na nossa concentração, a platéia estava muito agitada. Pronto. Eu já me preparei para o pior! Mas para a nossa surpresa, assim que começou, todos ficaram em absoluto silêncio. E foi um silêncio recheado de atenção, de energia, de respeito e de entrega. Foi maravilhoso dançar para aquele público!
O espetáculo foi muito bom. Como é bom dançar para platéias assim! Como nos ajuda! E muitos ali não tinham o hábito de ir ao teatro, muito menos de ver dança contemporânea! Foi incrível!

Isso desmonta nossas teorias quando justificamos o mau comportamento de algumas pessoas dizendo que elas nunca foram ao teatro... Isso vai da sensibilidade de cada um. É muito relativo. Impossível de generalizar... cada platéia é e será sempre uma grande surpresa...

CAICÓ

Após dançarmos em Mossoró fomos de van para Caicó. Como fazia calor!!! Agora sei o que é sentir calor!!! Dançamos na Concha Acústica do SESC do Seridó. Lá é lindo! A apresentação foi às 19:30hs. Já estava mais fresco sem o sol.

Tivemos um grande público infantil e muitas crianças estavam desacompanhadas dos pais! Houve muito ruído durante nossa performance. Foi muito difícil manter a concentração. Havia muitas pessoas interessadas e crianças que estavam prestando atenção, mas realmente as que não ficaram quietas atrapalharam as pessoas que queriam assistir. Bate-papo após a apresentação.
Apesar da agitação, já foi uma conquista conseguir levar ali um número tão grande de crianças. O ponto é conseguir levar aqueles pais também! Mas fora isso, houve um público interessado. Aqueles que ficaram para o bate-papo foram muito sensíveis em suas colocações. E houve crianças que ficaram também e fizeram perguntas para nós, o que foi muito positivo!
Depois alguns da equipe foram jantar, eu preferi ir para o Hotel, Helinho (nosso iluminador) e Aretha também preferiram, pois sairíamos cedo no outro dia.
À noite fez um calor! Resolvi ligar o ar condicionado (não gosto muito, mas não tinha outro jeito), só que ele fazia tanto barulho! Resultado : mal consegui dormir naquela noite.

E deixo aqui a letra da música que meu pai me lembrou ao telefone :

Ô Mana deixa eu ir
Ó Mana eu vou só
Ô Mana deixa eu ir
Para o sertão de Caicó

Eu vou cantando
Com uma aliança no dedo
Eu aqui só tenho medo
Do Mestre Zé Mariano
Mariazinha
Botou flores na janela
Pensando em vestido branco
Véu e flores na capela

Ô Mana deixa eu ir...

Saudades de Casa...

Estou agora em Caruaru. Chegamos ontem.

Na verdade hoje estou com saudades de casa. À noite até senti meu cachorro junto de mim, dormindo. Mas é assim mesmo. Desde os 14 anos viajo pra dançar. Em Joinville eram duas semanas... e fui oite vezes para lá. Todos os Cuballets que fiz duravam um mês e o primeiro que fui, em Niterói, eu tinha apenas 14 anos. Aliás, aquele foi o primeiro Cuballet no Brasil! Tivemos até a ilustre presença de Alicia Alonso! E ainda participei do Cuballet em Goiânia e em São Paulo, quando fiz Nikya em La Bayadére. Fora Bento Gonçalves, o Seminário de Brasília... Os três meses que vivi em Cuba em 96, aos dezoito anos... e em seguida os quase dois anos que passei na Alemanha, estudando na Palucca Schulle Dresden, de 96 a 98... Não fiquei direto, voltei de férias para o Brasil duas vezes. Depois morei em São Paulo um ano e meio... ou seja, já era para eu estar acostumada a ficar por aí, pelo mundo! Mas acho que não me acostumei... Também não estou morrendo de sofrimento por estar longe de casa... é só uma tristezinha cinza que fica no coração... só isso. E sei que passa.
Tenho muitos amigos queridos espalhados pelo mundo. Sei que eles sabem bem do que estou falando... O que mais ajuda a ficar bem quando a gente está longe é se você tem seu namorado ou namorada junto. Isso dá uma sensação de família! Acho que é por isso que os bailarinos acabam se casando entre si, pois se sentem em família nas viagens. Um dá força para o outro. É bem melhor mesmo!

Saímos de Belo Horizonte dia 28 de março. Já se passaram 19 dias! E dessa primeira etapa faltam ainda 37 dias de viagem. Voltaremos a BH dia 26 de junho. Ai...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Flor de Caicó

Acabamos de chegar em Caicó.

Sertão. Árido. Quente.

A vegetação de caatinga. Esparsa. Cheia de espinhos. Mas vi uma flor vermelha, bem pequena em um cactos, na beira da estrada. E essa flor me disse tanta coisa... me disse que é possível sim, viver em meio aos espinhos e permanecer delicada. E disse que apesar de delicada, ela era muito forte. Essa florzinha ainda me disse que por mais árido que tudo fosse, ela jamais perderia seu perfume... e que por mais cor de poeira que tudo fosse, ela jamais perderia seu tom vermelho-vida. A flor me disse que aprendeu o que era viver com o essencial. Aprendeu a desfrutar da breve brisa, quando ela passa. A flor me falou da esperança e da fé que ela nunca perde. E que ela vive com muito pouco. Mas ela está ali. Viva. Única. Ocupando seu lugar no mundo. Singela e de personalidade forte. Assim é essa pequena flor do sertão. Que sorri gentil e sedutora para aqueles que olham para ela.

E eu olhei.

Memorial da Resistência - Mossoró

Maria Bonita

Ontem à noite fomos visitar o Memorial da Resistência em Mossoró. É lindo! Fiquei encantada! Como é forte! As fotos dos cangaceiros e dos policiais que lutavam para prendê-los. No memorial está também escrita uma breve história sobre o cangaço, lampião e sobre como ele e seu bando foram derrotados em Mossoró.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O espetáculo em Mossoró


Bem, ontem foi maravilhoso! Uma segunda-feira, 20:00hs, e o Teatro Municipal estava simplesmente muito cheio! A platéia foi muito receptiva. Fiquei muito surpresa! Muitas vezes, segunda é um dia mais difícil... mas a produção aqui, que o Lázaro fez, foi muito boa!

O Teatro é excelente! Super moderno e bem cuidado. Foi muito bom dançar lá!

Ontem foi o que a gente chama de um espetáculo liso. Foi tudo bem! E foi difícil, pois desta vez o Mário quis operar o som lá debaixo, perto da coxia. Só que ele também dança! Então imagina só isso : de repente eu o via em cena, arrasando, dançando muito, com tudo. E quando eu piscava, ele vinha correndo igual uma bala por traz do palco, para dar play no som!!! E noutro momento já estava em cena de novo! Foi assim! E deu tudo certo. O elenco dançou muito bem. estava todo mundo muito concentrado e atento.
A equipe técnica também estava muito ligada, o que foi ótimo.
Após o espetáculo, como é de costume no Palco Giratório, tivemos um bate-papo com a platéia. Foi ótimo. Percebi a angústia de alguns artistas em se encontrar, em construir uma identidade própria, em refletir sobre o que é fazer dança contemporânea... foi muito bom poder conversar com eles. Achei muito produtivo.
Olha, realmente, esta cidade é muito boa e muito próspera! Tem petróleo, gás natural, sal e águas termais! É...
 E as pessoas são muito gentis. Elas têm aquele olhinho bom que cativa a gente...

A equipe do SESC do Rio Grande do Norte: Daniel, Nilton e Lázaro. Muito queridos!


Ah! Aconteceu uma surpresa! Antes de entrarmos em cena o Léo recebeu um telefonema da família dizendo que a irmã dele havia entrado em trabalho de parto. E quando acabou o espetáculo, Samuel já tinha nascido! Essa foto foi logo quando ele recebeu a notícia! Parabéns titio!!! rs...